O candidato quer o voto, mas não quer ser questionado? - por Edison Pires
Publicado em:
11 de setembro de 2026 às 12:00:00


Crédito Imagem:
Divulgação
Quando um candidato falta a um debate, preserva uma coisa: sua candidatura, só isso. Mas deixa claras várias outras realidades.
Pode preservar sua imagem, evitar o confronto, fugir de perguntas incômodas e impedir que suas respostas sejam cobradas em público. Mas também pode revelar medo de ser questionado, de ser confrontado e, principalmente, de ter que explicar ações e escolhas do passado.
Pode mostrar insegurança. Porque falar para a própria torcida é fácil. Difícil é enfrentar o contraditório. Difícil é olhar para o eleitor e responder, frente a frente, aquilo que não cabe em um vídeo editado, em uma postagem ou em um discurso cuidadosamente ensaiado.
O cancelamento dos debates previstos para setembro deveria provocar indignação. O debate presidencial marcado para 14 de setembro foi cancelado após a falta de confirmação de Lula e Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, o encontro para o governo estadual, previsto para 18 de setembro, também foi cancelado diante da ausência de confirmação de Tarcísio de Freitas.
Cada campanha terá sua justificativa. Estratégia eleitoral, cálculo político, conveniência.
Mas existe uma consequência que não pode ser ignorada: o eleitor (não a torcida organizada) ficou sem o debate e viu o candidato fugir da raia!
E debate é justamente onde a propaganda encontra a realidade.
É onde aparece a pergunta que incomoda: “Como você vai fazer isso?”
É onde uma promessa precisa virar proposta. Onde uma decisão precisa ser explicada. Onde o passado pode voltar à mesa. Onde o candidato deixa de falar apenas para quem já concorda com ele e precisa convencer quem ainda está em dúvida.
Não é possível afirmar que toda ausência signifique medo. Mas o eleitor tem o direito de interpretar.
Afinal, quem quer governar precisa estar preparado para ser cobrado.
Quem pretende tomar decisões em nome da população deveria estar disposto, antes da eleição, a responder à própria população.
Governar não é falar para uma torcida organizada. É ouvir críticas, enfrentar problemas, explicar escolhas e assumir responsabilidades.
Falar para a torcida é fácil. Difícil é enfrentar o povo frente a frente!
E talvez seja justamente por isso que o debate seja tão importante. Porque o candidato pode escolher não comparecer, escolher onde falar, o que responder e até quem deseja ouvir.
Mas o eleitor também pode escolher. E ele vai!
E, no dia da eleição, não haverá edição, corte ou segunda chance. Haverá apenas o voto.
Por isso, antes de perguntar quem vai ganhar, talvez devêssemos perguntar: quem está disposto a enfrentar o eleitor para merecer esse voto?
Porque quem quer o poder precisa aceitar também o peso da cobrança. E, quando um candidato prefere não responder, a ausência pode dizer muito mais do que qualquer discurso.
Edison Pires
















