Fogo no PEV: Não é porque acabou que terminou!
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17 de julho de 2026 às 17:00:00

Divulgaç ão
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O incêndio que atingiu o Posto de Entrega Voluntária – PEV, estrategicamente construído bem próximo a unidades de Saúde na Alameda 19 de Maio (numa demonstração de farta inteligência sem precedentes), em Araçariguama, para muitos pode ser considerado o fim de um problema. Já para outros, deve ser encarado como mais um capítulo dessa disputa acirrada do “Vejam todos: ele erra mais do que eu!”.
O fato daquela montanha de descarte ter virado cinzas não significa que “a coisa errada” acabou. E digo, “coisa errada”, com base nos apontamentos da CETESB e da decisão da Justiça, que deixaram bem claro que a situação ali além de irregular, era bem grave. Vou transcrever trecho dos apontamentos da CETESB, que foram publicados na imprensa, os quais mostram a maneira como o tão importante e necessário posto era tratado. Ficou claro que havia pouco critério e a displicência era rotina, já que tudo o que foi relatado durante a fiscalização, mostra que o que menos tinha ali era zelo e cuidado: “Durante a fiscalização, foram constatados o acúmulo de materiais em áreas abertas, a disposição de resíduos fora dos limites da propriedade e falhas graves na organização e na segregação dos materiais. Segundo a companhia, essas irregularidades provocam transtornos à população e favorecem a proliferação de insetos e roedores”. Então, o que era para ser organizado, na verdade era uma grande bagunça!
O fogo pode ter colocado um fim a tudo isso. Mas não é porque acabou que terminou!
Existe uma questão que não pode ser ignorada: pode ter ocorrido um crime. E a investigação de um possível crime não termina junto com as chamas. Pelo contrário, é justamente agora que ela precisa começar. Por tudo o que representa esse PEV estrategicamente alocado ao lado de unidades de saúde.
Será bem difícil identificar se o incêndio foi criminoso ou não. A rápida atuação justificada para conter as chamas – numa atitude heroica da Defesa Civil que mostrou estar preparada para atender ocorrências de grandes proporções -, possivelmente pode ter apagado qualquer evidência sobre o ato intencional.
Por esse motivo, entendo que a investigação deve ser conduzida por órgãos especializados, capazes de analisar todas as circunstâncias e apontar, com base técnica, as causas do incêndio. Afinal, amigo leitor, estamos falando da possibilidade de um crime, e isso exige seriedade.
Será bem difícil provar que alguém foi instruído ou levantou da cama disposto a atear fogo no PEV. Não sou perito, mas acredito que as evidências podem ter se misturado ao pouco do material que sobrou e nada ficará provado, para sorte e alívio de quem mandou (se é quem alguém mandou) ou de quem colocou fogo em tudo aquilo (se é que alguém colocou).
E para variar, quem levou a pior foi a população que respirou fumaça tóxica – não dá para saber com exatidão o que tinha por lá pois a coloração da fumaça mostra que não era só madeira -, e que as unidades de saúde ficaram na rota de tudo o que exalou daquele local. E por se tratar de unidade que atende pacientes, a mesma deve passar por desinfecção geral, uma vez que os resíduos não se dissipam com a fumaça e os ambientes podem estar contaminados. É só uma sugestão de quem pensa na prevenção e não em correr atrás de solução, depois que os problemas aparecem!
O certo é que esse fogo ardente e destruidor, vai entrar para a história. E talvez até seja enredo de mais uma história mal contada!
Edison Pires

















