Editorial: O desafio agora é o de proteger a Infância no Mundo Digital
Publicado em:
22 de agosto de 2025 às 13:23:00

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EDITORIAL
O Projeto de Lei 2628/22, apelidado de “PL da Adultização”, propõe medidas urgentes e necessárias para conter a exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios e violentos na internet. Entre os principais pontos, destacam-se a criação de mecanismos que permitam aos pais controlar o acesso dos filhos ao conteúdo digital e a responsabilização das plataformas e provedores pela veiculação de material inadequado.
Sem dúvida, trata-se de uma iniciativa relevante diante de um cenário em que a infância vem sendo, cada vez mais, invadida por conteúdos que não respeitam sua fase de desenvolvimento. A erotização precoce, o estímulo ao consumo, a cultura do ódio e da violência ganham espaço nas telas — muitas vezes sem qualquer mediação ou filtro. O impacto disso não é pequeno: crescem os casos de ansiedade, depressão, distorções de autoimagem e até mesmo episódios de violência envolvendo menores.
No entanto, é preciso perguntar: será isso suficiente?
A resposta, infelizmente, é não. Embora o PL avance ao propor instrumentos de controle parental e responsabilização legal, ele ainda esbarra em limites técnicos, éticos e culturais. A tecnologia é dinâmica e escapa com facilidade de filtros superficiais. Crianças e adolescentes, nativos digitais, frequentemente encontram maneiras de burlar bloqueios. Além disso, há a ilusão de que a responsabilidade pode ser transferida inteiramente aos pais ou às empresas, quando, na verdade, a sociedade como um todo precisa estar envolvida na proteção da infância.
Mais do que vigilância, o que se exige é educação digital. Ensinar crianças a lidar com o mundo online de forma crítica e segura é um dos caminhos mais eficazes. Isso implica incluir o tema no currículo escolar, capacitar professores, conscientizar pais e promover campanhas públicas permanentes. Afinal de contas, “as telas” nunca mais sairão do convívio com as crianças!
Também é necessário enfrentar interesses econômicos que lucram com a audiência infantil, seja por meio de publicidade direcionada, seja pela exploração de conteúdos sensacionalistas.
A luta contra a adultização e a violência simbólica contra menores não pode ser apenas reativa. Ela exige políticas públicas intersetoriais, marcos regulatórios mais amplos e, sobretudo, compromisso ético de todos os agentes envolvidos: Estado, plataformas digitais, educadores, famílias e mídia.
O PL 2628/22 é um passo importante — mas não é o ponto de chegada. Proteger a infância no século XXI exige mais do que filtros digitais. Exige um pacto social pela dignidade, pelo respeito e pela formação cidadã das novas gerações.

















