Dossiê Agosto Laranja, Mês de Conscientização da Esclerose Múltipla
Publicado em:
19 de agosto de 2026 às 12:00:00

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Causas, diagnóstico, sintomas e tratamentos; tudo o que você precisa saber sobre a doença
Todos os anos, o mês de agosto ganha uma importante cor na área da saúde: o laranja. A campanha Agosto Laranja tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a Esclerose Múltipla (EM), combater o preconceito e ampliar o acesso à informação de qualidade sobre uma das doenças neurológicas mais complexas e desafiadoras da atualidade.
Atualmente, há em torno de 2,9 milhões de pessoas em todo o mundo com EM. Estima-se que no Brasil, cerca de 40 mil pessoas vivam com a enfermidade, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença costuma acometer frequentemente adultos jovens na faixa etária entre os 20 e 50 anos de idade, principalmente mulheres.
A causa exata da EM ainda não é conhecida, mas uma combinação de fatores, incluindo predisposição genética e fatores ambientais, tais como infecções virais, deficiência de vitamina D, tabagismo e obesidade estão associadas ao seu desenvolvimento.
Os sintomas característicos podem surgir de forma repentina e desaparecer espontaneamente, o que muitas vezes dificulta e atrasa o diagnóstico. Os sintomas mais comuns incluem: fadiga intensa, alterações visuais, formigamento, dormência nos membros, fraqueza muscular, dificuldades de locomoção, problemas cognitivos, distúrbios de humor, tremores, dores na face ou no corpo, entre outros.
O diagnóstico da Esclerose Múltipla é clínico, baseado nos sintomas e em exames complementares. O principal exame utilizado é a ressonância magnética, que identifica as lesões no sistema nervoso central. Outros exames podem ser solicitados para confirmação do diagnóstico.
O que é a Esclerose Múltipla?
A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune, inflamatória e crônica, sem cura que afeta o Sistema Nervoso Central (cérebro e pela medula espinhal). Na doença, o próprio sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, uma camada que envolve e protege as fibras nervosas.
A bainha de mielina funciona como o revestimento de um fio elétrico: quando sofre danos, a transmissão dos impulsos nervosos torna-se mais lenta ou até interrompida, provocando diferentes sintomas neurológicos. Com a evolução da doença, além da perda da mielina, podem ocorrer danos às próprias fibras nervosas, justificando a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
O que causa a Esclerose Múltipla?
A Esclerose Múltipla não possui uma causa única. Hoje sabemos que ela resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais.
Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão a infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr (EBV); baixos níveis de vitamina D e pouca exposição solar; tabagismo, que aumenta o risco de desenvolver a doença e favorece sua progressão; além da obesidade durante a adolescência e juventude, que contribui para um estado inflamatório persistente no organismo.
É importante destacar que a Esclerose Múltipla não é contagiosa e, na maioria dos casos, também não é hereditária.
O que é um surto de Esclerose Múltipla?
Uma das características mais importantes da doença é a ocorrência dos chamados surtos, também conhecidos como recaídas. Um surto corresponde ao aparecimento de um novo sintoma neurológico ou à piora significativa de um sintoma já existente, com duração mínima de 24 horas e sem relação com febre ou infecções. Isso acontece quando há um novo foco de inflamação no cérebro ou na medula espinhal.
Os surtos podem se manifestar de diferentes formas, incluindo perda súbita da visão em um dos olhos, visão dupla, fraqueza muscular, formigamentos intensos, dificuldade para caminhar, alterações do equilíbrio, tontura ou perda de sensibilidade. A recuperação pode ser completa ou parcial, dependendo da intensidade da inflamação e da rapidez com que o tratamento é iniciado.
Quem pode desenvolver a doença?
A Esclerose Múltipla acomete principalmente adultos jovens, entre 20 e 40 anos de idade, sendo aproximadamente três vezes mais frequente em mulheres. No mundo, são aproximadamente 2,9 milhões de pessoas vivendo com Esclerose Múltipla. No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil pessoas convivam com a doença, o que corresponde a uma frequência média entre 15 e 18 casos para cada 100 mil habitantes.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um exame único capaz de confirmar o diagnóstico de Esclerose Múltipla. A confirmação é baseada na combinação da história clínica, do exame neurológico e de exames complementares, seguindo os critérios internacionalmente estabelecidos.
A ressonância magnética é o principal exame de imagem, permitindo identificar as lesões características no cérebro e na medula espinhal. Em alguns casos, também é indicada a análise do líquor, que pode demonstrar marcadores inflamatórios, auxiliando na confirmação
diagnóstica. Além disso, exames laboratoriais são importantes para excluir outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes.
Como é o tratamento?
O tratamento da Esclerose Múltipla está baseado em três pilares: O primeiro consiste nas terapias modificadoras da doença, medicamentos disponíveis nas formas oral, injetável ou por infusão intravenosa, incluindo anticorpos monoclonais de alta eficácia. Esses tratamentos atuam regulando o sistema imunológico e reduzem de forma expressiva a ocorrência de novos
surtos e o aparecimento de novas lesões no cérebro. Grande parte dessas medicações já está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O segundo pilar corresponde ao tratamento dos surtos agudos, realizado principalmente com corticoides em altas doses (pulsoterapia), visando controlar rapidamente a inflamação.
O terceiro pilar envolve a reabilitação multidisciplinar. Acompanhamento com fisioterapia, atividade física supervisionada, terapia ocupacional, psicologia, fonoaudiologia e nutrição desempenham papel essencial na preservação da independência funcional e da qualidade de vida.
Qual é a expectativa de vida?
Uma das maiores mudanças no cenário da Esclerose Múltipla ocorreu justamente na expectativa de vida. Hoje, graças ao diagnóstico precoce e aos tratamentos modernos, pessoas com Esclerose Múltipla apresentam expectativa de vida muito próxima à da população geral. A redução média estimada é de apenas cinco a sete anos, geralmente relacionada a complicações observadas em fases muito avançadas da doença.
Na prática, a maioria dos pacientes consegue manter sua independência, continuar trabalhando, estudando, formando família e realizando seus projetos pessoais durante muitas décadas.
Os avanços da medicina mudaram o tratamento. Os últimos anos foram marcados por importantes avanços científicos na Esclerose Múltipla. Os critérios diagnósticos vêm permitindo identificar a doença cada vez mais cedo, possibilitando iniciar o tratamento antes mesmo da ocorrência de incapacidades permanentes.
Outra grande expectativa está relacionada aos inibidores da BTK, uma nova classe de medicamentos em desenvolvimento que atua sobre mecanismos inflamatórios presentes no cérebro e pode representar um importante avanço no controle da doença.
Também estão em andamento pesquisas sobre remielinização, cujo objetivo é estimular a recuperação da mielina danificada, além do desenvolvimento de vacinas contra o vírus Epstein-Barr, considerado um dos principais fatores envolvidos no surgimento da Esclerose Múltipla.
Reconhecer os primeiros sintomas, procurar atendimento especializado e iniciar o tratamento o mais cedo possível faz toda a diferença na evolução da doença. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento permitem controlar a atividade da doença, reduzir significativamente o risco de incapacidade. Embora ainda não tenha cura, o acompanhamento adequado e a abordagem multidisciplinar têm proporcionado uma excelente qualidade de vida para a maioria dos pacientes.
Sobre a Dr. Kleber Duarte, Neurocirurgião: Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
@drkleberduarte



















