Chuva, buraco e lama! - por Edison Pires
Publicado em:
29 de maio de 2026 às 16:48:00

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Comecei a semana me deparando com imagens que me deixaram indignado! Como pode o poder público, mais precisamente uma prefeitura, ainda permitir que estradas vicinais fiquem intransitáveis após a chuva?
Já vou avisando aos chatos de plantão, que na grande maioria dos municípios boa parte das estradas rurais e ruas já estão asfaltadas. Há 20 ou 30 anos, tudo bem, tinham mais estradas para cuidar. Hoje não, o número caiu bastante, tem mais asfalto e tecnologia, porém, os problemas continuam os mesmos. Porque será?
Vamos lá! Em rede nacional vi um aluno ser levado pela família em um carrinho-de-mão, para que ele chegasse seco e limpo na escola. O motivo? Estrada sem condições de trânsito de carros e ônibus.
Também vi um ônibus escolar atolado até o meio da roda e várias crianças na beira da estrada e outras seguindo a pé, pelo mesmo motivo: estrada sem condições. Vi ainda um vídeo onde um ônibus, às 05h30 da manhã, estava atolado e os passageiros tentando empurrar o “grandão” para sair do atoleiro. Um absurdo. Pouco depois, assisti a outro vídeo em que uma mulher dirigindo por uma estrada cheia de barro narrava a dificuldade para manter o carro longe dos imensos buracos. Ela ainda encontrou pelo caminho um caminhão que não conseguia chegar ao seu destino, pois patinava na lama. E tiveram outros mais! Não vou colocar as localidades onde tudo isso aconteceu (o amigo leitor, atento, já sabe) para não ter que ouvir desculpas esfarrapadas!
Problemas antigos, de décadas atrás, que continuam trazendo transtornos, prejuízos e sérios riscos para a população. De todas as idades!
E não dá para dizer que é tão difícil manter a coisa em ordem, uma vez que muitas técnicas e equipamentos evoluíram. Por exemplo: Máquinas mais modernas: motoniveladoras, rolos compactadores e retroescavadeiras atuais conseguem fazer serviços mais rápidos e precisos; Melhor controle da água: hoje existe maior conhecimento sobre drenagem, curvas de nível, caixas de contenção e saídas d’água, que são fundamentais para evitar erosão e buracos; Uso de novos materiais: muitas prefeituras e propriedades utilizam cascalho selecionado, fresado de asfalto, solo-brita e estabilizadores químicos que aumentam a resistência da estrada; Planejamento via GPS e drones: municípios e empresas conseguem mapear pontos críticos com mais facilidade, e, Compactação mais eficiente: técnicas modernas deixam a estrada menos suscetível à lama e costelas, são apenas alguns exemplos do quanto se avançou na manutenção de estradas de terras.
Com tanto avanço tecnológico e menos estradas para manter, pois grande parte já foi asfaltada, os motivos de tanto sofrimento para a população têm tudo a ver com dois fatores principais: PREVENÇÃO e PLANEJAMENTO.
Numa rápida pesquisa encontrei uma lista com os nomes de cidades brasileiras conhecidas por investir de forma consistente na manutenção de estradas vicinais e rurais: Campos do Jordão (sabe qual é o Orçamento Municipal para este ano? R$ 381 milhões); Socorro (Orçamento de R$ 265 milhões); Bebedouro (R$ 546 milhões); Não-Me-Toque (R$150 milhões); Maravilha (R$ 174 milhões); Pedreira (Orçamento de R$ 320 milhões); Holambra (Orçamento de R$ 213 milhões) entre outras dezenas de municípios Brasil a fora.
Mesmo com Orçamento bem parecido com o nosso, algumas dessas cidades viraram referência por organização e manutenção preventiva. Quanta inveja!
Para finalizar, quer saber o que normalmente faz esses municípios se destacarem? Preste atenção na resposta de especialistas no assunto: Conhecimento no que está fazendo; Manutenção preventiva em vez de apenas “tapar problemas”; Prioridade para drenagem; Equipes próprias treinadas e capacitadas; Cronograma contínuo; Uso correto de cascalho e compactação; Integração entre agricultura e obras; Resposta rápida após temporais.
Se alguns conseguem, todos podem conseguir. Basta querer e ter competência, não é mesmo?
Edison Pires

















