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Assassinato em academia no PR: homem que armou emboscada sequer conhecia a vítima que matou a facadas, diz polícia

Publicado em:
8 de janeiro de 2026 às 14:00:00
Assassinato em academia no PR: homem que armou emboscada sequer conhecia a vítima que matou a facadas, diz polícia
Divulgação
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Crime aconteceu em Londrina. David Schmidt Prado, de 37 anos, foi vítima de emboscada, segundo a polícia. Lucas Wancler Ferreira dos Santos foi preso em flagrante. Defesa dele alega que se trata ainda de uma investigação inicial.

A Polícia Civil (PC-PR) informou nesta quarta-feira (7) que Lucas Wancler Ferreira dos Santos, que armou uma emboscada para matar David Schmidt Prado a facadas, sequer conhecia a vítima. O crime aconteceu em uma academia de Londrina, no norte do Paraná, e foi registrado por câmeras de segurança. Assista acima.

Lucas foi preso em flagrante por homicídio qualificado por meio cruel e pela dificuldade de defesa da vítima. No depoimento, ele permaneceu em silêncio. Após audiência de custódia, a prisão dele foi convertida em preventiva. Clique aqui para ler a manifestação da defesa na íntegra.

A suspeita é de que emboscada tenha sido motivada por ciúmes. A polícia informou que a esposa de Lucas prestou depoimento e contou que teve um "breve relacionamento" com David, no período em que estava separada.

Contudo, a verdadeira motivação ainda será esclarecida durante a investigação da Polícia Civil.

A atual namorada de David, Jheniffer Balardi, conversou com a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. Ela esclareceu que não conhece Lucas e não está envolvida na suposta motivação por ciúmes.

A jovem, moradora de Cornélio Procópio, contou que estava namorando David há cerca de quatro meses e os dois se preparavam para morar juntos em Londrina. Segundo Jheniffer, o namorado sempre foi transparente e nunca deu a entender que estava sendo ameaçado.

"Foi uma das melhores pessoas que eu conheci na minha vida. A gente passou os últimos sete dias, depois do Natal [juntos], nós fomos para a praia. [...] Ele era muito tranquilo. O celular dele sempre ficava aberto e exposto para todo mundo [...] o David nunca escondeu nada, ele mexia no celular perto da gente. Ele também nunca demonstrou que estava sendo ameaçado", contou a namorada.

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Dinâmica do assassinato

Conforme o relatório da Polícia Civil, as imagens das câmeras mostram Lucas sentado no estacionamento da academia, mexendo no celular, às 18h41 da segunda-feira. Quando David passou por ele, saindo do treino, Lucas se levantou e escondeu a faca atrás do corpo enquanto se aproximava da vítima.

Os dois conversaram brevemente antes de David ser ferido pelo primeiro golpe. Ele tentou fugir, mas foi atingido cinco vezes: quatro enquanto estava no estacionamento e uma depois de pular a catraca e buscar ajuda dentro da academia.


O relatório da polícia ainda cita que, enquanto David "clamava por socorro e por atendimento médico", Lucas ficou "observando por vários segundos o sofrimento imposto, sem prestar qualquer auxílio".

Foi neste momento que um policial militar de folga rendeu Lucas e impediu que as agressões continuassem.

O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi à academia, mas David não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo da vítima foi levado pela Polícia Científica de Londrina.

A Polícia Militar (PM-PR) esteve no estabelecimento, conduziu Lucas à delegacia e apreendeu a faca usada no homicídio.

Quem é a vítima

David Schmidt Prado tinha de 37 anos e, segundo familiares, deixou um filho de seis anos.

Ele trabalhava no setor administrativo de uma rede de postos de combustíveis em Londrina. A família dele é de Cornélio Procópio, cidade a 67 quilômetros de distância e onde aconteceu o sepultamento, nesta quarta-feira (7).


Lucas foi preso por policial de folga que treinava na academia

No momento em que David foi esfaqueado e morto, um policial militar de folga estava treinando no local e deteve Lucas.

O nome do policial militar não será divulgado porque ele é considerado uma testemunha do caso.

Em depoimento, o policial militar relatou que, a princípio, achou que alguém estava assaltando o estabelecimento. Porém, os gritos de David fizeram ele entender a situação.

"No momento eu imaginei que fosse um assalto. Não estava entendendo o que estava acontecendo. E nesse momento ele começou a gritar 'chama a ambulância, chama a ambulância, socorro, me ajuda', e saia muito sangue dele. Peguei meu celular para ligar para a ambulância. E na hora que eu retornei, eu percebi que tinha um cara armado, e nisso eu saquei a arma. No momento que eu saquei a arma, ele jogou a faca no chão e comecei a dar voz de abordagem para ele, pedindo para ele ir pro chão", o policial militar explicou.


Em seguida, o policial relatou que imobilizou Lucas e o questionou o motivo das agressões.

"[...] eu perguntei para o autor, falei 'cara, porque você fez isso?'. E ele falou que parece que a vítima tinha mexido com a mulher dele. Nessas palavras que ele falou: 'ele mexeu com a minha mulher'", consta no depoimento.

O que diz a defesa


Em nota, a advogada Thais Indiara Pereira dos Santos, que representa Lucas, afirmou que se trata ainda de uma investigação inicial. Leia na íntegra:

"Em relação aos fatos recentemente divulgados, a defesa técnica esclarece que o caso encontra-se em fase absolutamente inicial de apuração, ainda pendente de análise judicial e produção completa de provas.

Neste momento, qualquer juízo definitivo sobre autoria, motivação ou enquadramento jurídico revela-se precipitado e incompatível com o devido processo legal. A defesa acompanha os atos investigativos, confia no trabalho das autoridades constituídas e exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa no momento e no local adequados, que são os autos do processo.

A defesa não concorda com a divulgação e utilização de provas ou conteúdos vazados dos autos, tais como interrogatórios, imagens ou registros do local dos fatos, por entender que a exposição indevida de elementos probatórios compromete a regularidade da investigação, o direito de defesa e a própria lisura do processo penal.

Reitera-se que o respeito às garantias constitucionais, especialmente à presunção de inocência e ao direito ao silêncio, é essencial para a condução equilibrada e justa de casos de alta repercussão social."

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