Araçariguama: Pai fala sobre morte de Vitória Gabrielly cinco anos após crime; 'Saudade diária'
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16 de junho de 2023 às 18:30:00

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Crime ocorreu em junho de 2018, em Araçariguama. Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, foi encontrada morta com os pés e mãos amarrados. Três pessoas foram condenadas pela Justiça.
Em 15 de junho de 2018, o corpo de Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, foi encontrado em um matagal em Araçariguama. Ela estava desaparecida desde 8 de junho, quando saiu de casa para andar de patins e não voltou.
O caso causou comoção em todo o país. Na época, a Polícia Civil fez buscas pela menina durante oito dias. A investigação tomou novo rumo a partir de um vídeo de câmera de segurança que flagrou a adolescente andando de patins momentos antes de desaparecer, no bairro Vila Nova, em Araçariguama.
O g1 conversou com o pai da menina, Beto Vaz, que relembrou os momentos ao lado da filha. "Me recolho e fico agarrado às nossas memórias. Faço isso também no dia 8, que foi quando ela desapareceu", afirma.
Beto, que atualmente é Secretário de Esportes em Araçariguama, também comentou que, mesmo após cinco anos, a comoção pelo o que aconteceu com Vitória Gabrielly ainda é grande na cidade.
"Muitas pessoas lembram do que aconteceu, postam algo nas redes sociais e me marcam. E eu, naturalmente, me apego muito nessas lembranças e no amor das pessoas por ela. Escrevo algum texto, publico alguma foto dela. É uma saudade diária", diz.
Ele também tem um perfil nas redes sociais onde compartilha lembranças da menina. Em 8 de junho deste ano, quando completou cinco anos que Vitória desapareceu, Beto fez uma postagem com fotos e vídeos com ela.
Na postagem, Vitória aparece brincando com outras crianças, almoçando com a família. "Você sempre estará em meu coração", diz a legenda.
Relembre o caso
Vitória Gabrielly desapareceu na tarde do dia 8 de junho de 2018, quando saiu de casa para andar de patins, em Araçariguama. Uma câmera de segurança registrou a menina na rua no dia do sumiço.
A adolescente foi encontrada morta oito dias depois, em 16 de junho, em uma mata às margens de uma estrada de terra, no bairro Caxambu. Segundo a polícia, a garota estava com os pés e as mãos atados e o corpo amarrado a uma árvore.
Polícia Civil conclui inquérito sobre morte da menina Vitória Gabrielly em Araçariguama
A polícia pediu a prisão temporária do servente de pedreiro, Júlio César Lima Ergesse, que disse que esteve com a menina. O suspeito apontou o envolvimento do casal Bruno Oliveira e Mayara Abrantes. Segundo ele, os dois teriam levado a menina em um carro.
A princípio, a Polícia Civil informou que a principal linha de investigação era de execução por vingança. Júlio César Lima Ergesse foi indiciado por homicídio doloso. Bruno e Mayara foram presos em Mairinque (SP).
Em julho de 2018, a Polícia Civil esclareceu que a adolescente foi morta por engano por uma dívida de drogas de R$ 7 mil. Após a análise do inquérito, com mais de mil páginas, o Ministério Público denunciou Júlio, Bruno e Mayara, presos pela morte da adolescente.
Na sequência, a Polícia Civil abriu um segundo inquérito para investigar a existência de um mandante do crime, que foi identificado como sendo Odilan Alves. Ele foi preso em maio de 2019, quase um ano após o crime, e, na época, confessou ser chefe em pontos de venda de drogas na região de Araçariguama.
A Justiça fez três audiências para ouvir os réus e testemunhas, todas no Fórum de São Roque. Após quase 11 horas de júri, Júlio foi condenado a mais de 30 anos de prisão em regime fechado.
Em novembro de 2020, a Justiça condenou Odilan Alves em dois processos. Ele também foi indiciado por homicídio e apontado como o cobrador de uma dívida de drogas que terminou com a morte da estudante, no entanto, as condenações são ligadas ao tráfico de drogas.
O júri sem público do pedreiro Bruno Oliveira e da esposa Mayara Abrantes teve início no dia 8 de novembro de 2021 e durou dois dias. Foi realizada a fase de debates e, na sequência, o sentenciamento dos réus.
Condenações
Júlio Ergesse foi condenado a 34 anos de prisão por envolvimento na morte da menina. Recentemente, a justiça concedeu que a pena deve fosse reduzida para 23 anos e 4 meses.
Ele está preso em um presídio em Taubaté (SP). De acordo com os advogados de defesa dele, Glauber Bez e Marcelo Ergesse Machado, o acusado aguarda cumprir 2/5 da pena para pedir regime semiaberto, o que deve acontecer em 2027.
Os advogados informaram que, até os dias atuais, Júlio nega participação no crime.
O casal Bruno e Mayara foi denunciado por sequestro qualificado, homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, sem possibilidade de defesa da vítima e ocultação de cadáver.
Segundo a sentença do juiz Flávio Roberto de Carvalho, Bruno foi condenado a 36 anos e 3 meses. Já Mayara foi sentenciada a 36 anos pelo homicídio, sequestro e ocultação de cadáver com qualificadoras.
Bruno e Mayara aguardam o julgamento do recurso de apelação, apresentado no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Odilan Alves foi condenado em 2020 a cumprir pena de 25 anos de prisão por tráfico de drogas, associação criminosa, posse de arma e munição. Ele aguarda pronúncia para ser julgado pelo Tribunal do Júri pela acusação de ser o mandante do crime contra Vitória.
Sala Vitória Gabrielly
Em homenagem à menina, a Delegacia de Araçariguama (SP) criou a "Sala Vitória Gabrielly", inaugurada no Dia Internacional da Mulher de 2022. O espaço é destinado ao atendimento de mulheres, crianças e idosos, vítimas de violência doméstica.
Matéria por: G1 Tv Tem

















