A reforma da Praça Albertino de Castro Prestes por Edison Pires
Publicado em:
1 de julho de 2023 às 12:30:00

Crédito Imagem:
O anúncio da reforma da Praça Albertino de Castro Prestes, chamada equivocadamente de Praça da Matriz – o que colabora para que a figura homenageada com seu nome caia no esquecimento e que seu legado seja apagado da memória do município – me encheu de alegria.
Principalmente nas cidades do interior, a Praça é um local de encontro. Em localidades pequenas como a nossa, espaços como esse são fundamentais pois colaboram para uma maior integração de pessoas e gerações, que o diga o pessoal da Rota Caipira!
Um dos motivos que me deixaram feliz é a oportunidade de “recuperar” ou “tomar de volta” aquele espaço para a população. Já vi matérias na GAZETA e também ouço fortes comentários afirmando que a “praça foi tomada” por frequentadores que, por suas ações e rotina pouco saudáveis e sociáveis, acabaram espantando as famílias que se viram sem espaço para uma agradável convivência. Acredito que com a reforma física, algumas outras ações e providências necessárias para garantir o uso adequado do local, também serão tomadas. Caso contrário, de muito pouco irá adiantar tanto esforço e investimento.
Agora, o que quebrou um pouco aquele clima de euforia pela reforma, foram alguns anúncios das “benfeitorias” que a Praça irá receber. A começar pelo banheiro público! Nas décadas de 1930, 1940, 1950, até 1970, a construção de banheiros em praças era visto como algo importante em relação às condições sanitárias da época. Me lembro muito bem de alguns banheiros em cidades de Minas Gerais, Estado onde cresci. Alguns até ficavam no subterrâneo, debaixo de fontes e chafarizes. Outros em um canto da praça. Porém, o que era comum entre todos eles, era a sujeira e aquele cheiro insuportável. Infelizmente as equipes de limpeza não davam conta e, por isso, usar os banheiros públicos era só mesmo em questão de aperto extremo e olhe lá. A dúvida que tenho é: será que vamos conseguir manter a devida higienização em nossa praça?
Outro anúncio que me deixou preocupado foi o da construção de uma lanchonete. A princípio a ideia é boa, caso não houvesse tais estabelecimentos por perto. Mas, sim, eles existem na calçada ao lado. Uma das minhas dúvidas a esse respeito é como ela irá funcionar. Vai concorrer com padarias, lanchonete e bares que estão no entorno da praça? A situação já não está fácil pra ninguém, e ainda haverá mais concorrência? Mesmo que digam que a tal lanchonete terá finalidade social, acredito que não será vendendo doce, salgado ou refrigerante na praça que o atendimento nessa área irá passar por profundas mudanças. Não quero tirar conclusões precipitadas, uma vez que há pouca informação sobre isso – aliás, a falta de uma divulgação eficiente por parte dos responsáveis tem sido algo rotineiro nos últimos 3 anos – mas, acho que abrir espaço para que o comércio ao redor possa utilizar a Praça com cadeiras e mesinhas como ocorre em áreas de alimentação em shoppings ou em tantas outras praças Brasil a fora, seria mais viável e justo.
Outro ponto, mas este é de gosto particular, diz respeito à substituição das pedras portuguesas por piso cerâmico, o que é uma judiação. E para onde irão as pedras caríssimas que serão retiradas? Mas, disseram que é por questão de segurança e acessibilidade. Tudo bem, é uma preocupação importante. Agora, será que uma manutenção permanente, como deve ocorrer com os banheiros, não evitaria problemas e riscos?
Sobre os cortes da árvore e das palmeiras, custo a acreditar que isso tenha ocorrido. Não tenho conhecimento técnico para afirmar se elas estavam comprometidas e prontas para cair, como foi dito. Mas, sei que uma palmeira dura mais de 100 anos e a árvore, encorpada como estava, não aparentava estar doente e ela não tinha mais do que 60 anos, conforme disseram alguns parentes de quem ajudou na arborização da Praça. Realmente não sei o que dizer e por esse motivo engrosso o coro das pessoas que se manifestaram contrárias a essa medida extrema. Aquele vazio que se abriu na Praça é uma cicatriz que nunca irá se fechar, herança que Araçariguama carregará para sempre.
Aos poucos a alegria pela reforma está perdendo espaço para a indignação!
Edison Pires

















