TCUSP e a desorganização na Educação Pública: quem responde por isso?
Publicado em:
27 de março de 2026 às 14:14:00

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A recente fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, realizada em mais de 300 municípios, escancarou uma realidade incômoda: a educação pública ainda falha no básico.
Não se trata de inovação ou desempenho em avaliações. O que se encontrou foram infiltrações, materiais vencidos, livros danificados, armazenamento inadequado e ausência de condições mínimas de segurança. Almoxarifados desorganizados e estoques sem controle revelam falhas graves na gestão e na distribuição de recursos essenciais aos alunos.
Diante desse cenário, a questão central não é apenas o diagnóstico – é a responsabilidade sobre a organização dos sistemas.
A justificativa da falta de recursos não se sustenta isoladamente. O que se evidencia é a ausência de gestão qualificada, planejamento e organização sistêmica. Controle de estoque, logística e acompanhamento de materiais são práticas elementares em qualquer área da administração pública – e não podem ser tratadas como secundárias na educação.
Quando órgãos de controle precisam verificar se os materiais chegaram às escolas, estamos diante de um sinal claro: o básico deixou de ser garantido. E isso tem consequência direta na aprendizagem e na equidade. O aluno que não tem acesso aos recursos no tempo adequado inicia sua trajetória em desvantagem.
Nesse contexto, é necessário olhar para o papel das Secretarias de Educação. A organização dos sistemas não é responsabilidade isolada das unidades escolares. Cabe às Secretarias estruturar, normatizar e acompanhar processos de gestão – do planejamento de compras à distribuição de materiais.
Quando essa estrutura falha, transfere-se aos diretores uma responsabilidade que é, essencialmente, sistêmica. E o resultado é previsível: improviso, sobrecarga e fragilidade na execução.
Não basta fiscalizar. É preciso reorganizar.
Isso exige ação concreta: sistemas de controle eficientes, protocolos claros, planejamento baseado em demanda real e acompanhamento contínuo. E, sobretudo, responsabilização quando há negligência. Mais do que medidas pontuais, o cenário exige mudança de cultura. Educação não pode ser gerida com amadorismo.
Não há qualidade sem organização!!! Não há equidade quando o básico falha!!! O retrato apresentado pelo Tribunal de Contas pode ser um ponto de partida para uma atuação mais firme, técnica e responsável das Secretarias de Educação. Porque, no fim, a qualidade da educação começa onde muitas vezes se negligencia: na gestão.
Simone Teodoro – Consultora e Assessora Educacional

















