Seguimos por um caminho sem volta! - por Edison Pires
Publicado em:
16 de janeiro de 2026 às 15:00:00

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Na primeira reunião de empresários sobre a aplicação da Inteligência Artificial nas empresas, que aconteceu em Manaus, alguns dados apresentados sobre Empregos foram, de alguma forma, estarrecedores.
O problema, segundo o palestrante, está em dois pontos cruciais: a dependência cada vez maior do cidadão brasileiro aos programas assistenciais do governo e o modo como alguns dados sobre emprego são utilizados, até mesmo com o objetivo de transmitir a sensação de que tudo está melhorando.
Vou começar falando sobre isso.
O IBGE divulgou a taxa de desemprego no país em 5,2%, no trimestre móvel encerrado em novembro, o menor valor da série histórica, o que não deixa de ser uma boa notícia. Mas é bom lembrar que o IBGE considera desempregado aquele que está buscando inserção no mercado de trabalho, e não aquele que simplesmente está sem trabalhar. Ele não registra, por exemplo, quem está na informalidade ou inscrito em programas sociais.
Segundo os dados, a população total ocupada saltou de 101,916 milhões para 103,019 milhões, aumento de 1,08%. No entanto, o crescimento se deu de forma desigual entre setores, e o principal contraste está entre o setor privado e o público. Os empregados no setor privado (exceto trabalhadores domésticos, cujo número caiu) foram de 52,493 milhões para 52,986 milhões, uma elevação de 0,94%, enquanto no setor público o crescimento foi de 3,8% (de 12,617 milhões em novembro de 2024 para 13,1 milhões em novembro de 2025). Os números comprovam que o setor público é o maior empregador do país na atualidade. Em parte, representa a atualização/renovação da máquina pública. Porém, e bem mais visível, fica claro o inchaço nas repartições públicas possivelmente em razão de um fator incontestável: garantia de voto. O eleitor, como eu já disse aqui em outra oportunidade, não quer mais bloco, cimento, areia. Ele quer emprego (não confundir com trabalho) com bom salário e algumas regalias, se possível. E o político incompetente, por sua vez, emprega o quanto pode (o dinheiro não é dele!) para não perder o poder!
Agora falando sobre os programas assistenciais do governo.
Sete em cada dez brasileiros em idade de trabalhar iniciaram o segundo semestre de 2025 cadastrados em programas de assistência do governo federal. Cerca de 94 milhões de brasileiros entre 15 e 64 anos constam no Cadastro Único (CadÚnico), que funciona como porta de entrada para dezenas de tipos de benefícios sociais como o Bolsa Família. Esse número representa aproximadamente 44% de toda a população do país. É como se quase metade do Brasil dependesse, de alguma forma, desses programas. Entre os cadastrados, mais da metade (57%) utiliza o Bolsa Família como fonte essencial de recursos, o que revela a baixa renda na realidade brasileira.
Números mostram ainda que 25% da população que se encontrava em situação de pobreza, conseguiu sair dessa triste realidade. Só que a maioria esmagadora só alcançou tal feito com aumento de renda por estar ativo nos programas do governo. Ou seja: graças ao assistencialismo. E você, amigo leitor, tem ideia do quanto a família passou a receber em média com esse “aumento de renda”? Míseros R$ 218,00 por pessoa!
Sem entrar em debate político, o País atravessa um momento delicado. Projeções de seis instituições financeiras ouvidas pelo Estadão/Broadcast no ano passado apontam que, do crescimento de 1,7% no PIB previsto para 2026, mais da metade (0,9%) virá de estímulos governamentais, incluindo a isenção do Imposto de Renda e programas como o Luz para Todos, o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida. Para tudo isso, o governo precisa arrecadar mais e isso só vai acontecer com cobranças de mais impostos, taxas e seja lá o que vier. A longo prazo isso irá se transformar num grande problema.
Enquanto os programas assistenciais do governo continuarem como fonte de renda das famílias e não um merecido e necessário auxílio (o aumento no número de atendidos não é bom, bom seria a família sair do programa por ter melhorado sua condição de vida), as perspectivas de futuro serão cada vez mais sombrias. Em algum momento essa bolha irá estourar e o Brasil vai entrar em colapso e pode se transformar numa terra de miséria e violência.
“Estamos seguindo por caminho sem volta”, alertou o palestrante!
Edison Pires




















