Santaella: irresponsabilidade do Estado - Edison Pires
Publicado em:
16 de fevereiro de 2020 às 19:30:24
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Esta, com certeza, foi a segunda-feira mais difícil dos últimos tempos. Nunca vi tamanhos problemas, tragédias pessoais e dificuldades em toda a região de uma única vez. As chuvas de verão nos castigaram pra valer e, muito do que já estava ruim, agora piorou. Por diversas razões, acredito que Araçariguama não será a mesma depois de tudo o que ocorreu.
A cidade praticamente parou nesse dia. Aqui na empresa, muitos colaboradores deixaram de comparecer. Alguns por não ter condições de chegar, uma vez que ficaram ilhados em seus bairros. Outros, porque infelizmente tiveram suas casas tomadas por água e lama. Foi o caos!
Choveu muito. As áreas mais afastadas da região central foram as que mais sofreram. Ruas e estradas com trechos intransitáveis dificultaram até mesmo a chegada de socorro. Moradores do bairro Santaella ficaram mais de 30 horas ilhados. Foi preciso o helicóptero da Polícia Militar para alcançar aqueles que precisavam ser resgatados.
Aliás, gostaria de dar destaque a esse bairro. Assistindo a reportagens nos telejornais vi que a abertura das barragens do rio Tietê, provocou toda essa desgraça aos moradores daquela localidade. O volume de água mais que dobrou em menos de duas horas e o rio subiu cerca de cinco metros. Foi tudo muito rápido e o bairro ficou debaixo d’água.
Tudo bem que houve a necessidade das comportas serem abertas, para que as barragens não estourassem ou ficassem com suas estruturas comprometidas. Mas, e quanto a essas dezenas de famílias que foram atingidas? Que culpa tem?
Acredito que o Estado esteja sendo omisso em relação a elas. Se é necessária a abertura das comportas toda vez que chove acima da média na Capital, então, é certo também que a região do Santaella precisa de mais atenção.
Por isso, acho que providências têm que ser tomadas para que tantas pessoas não sofram as consequências. O Estado tem que usar o seu poder para solucionar essa situação. As famílias em área de risco têm que ser realocadas e soluções técnicas têm que ser adotadas com urgência. Deixar que a vida dessas famílias “volte ao normal” e tudo permaneça como está é pura irresponsabilidade. Porque senão, daqui um mês ou um ano, seja lá quanto tempo for, elas serão atingidas novamente e, mais uma vez, irão perder tudo o que conquistaram ao longo da vida.
Esta enchente mostrou que está na hora de cobrar solução e não apenas ajuda. Está na hora de dar um fim a esse problema e não apenas deixar tudo como está.
Está na hora da gestão pública começar a agir de verdade!


















