Saneamento Básico: Não se trata apenas de infraestrutura, mas de dignidade e sobrevivência - EDITORIAL
Publicado em:
13 de setembro de 2025 às 15:00:00

Divulgação
Crédito Imagem:
O Brasil é um país de contrastes. De um lado, orgulha-se de avanços tecnológicos que colocam o cidadão na era digital: temos internet 5G, inteligência artificial acessível no celular, aplicativos que entregam comida em minutos e bancos digitais que funcionam na palma da mão.
De outro, convivemos com uma realidade medieval: milhões de brasileiros ainda não têm água tratada nem coleta de esgoto.
Essa contradição é gritante. Enquanto a tecnologia rompe fronteiras em ritmo acelerado, o saneamento básico caminha a passos lentos. Segundo o IBGE, mais de 34 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água potável e 90 milhões não contam com serviço de coleta e tratamento de esgoto. Não se trata de um detalhe: são vidas expostas a doenças evitáveis, que há muito já deveriam estar no passado.
Em todo o Mundo, a situação não é lá tão diferente. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 94% dos casos de diarreia em todo o planeta são devidos à falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento precário!
O Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que visa universalizar os serviços de água potável e tratamento de esgoto no Brasil até 2033, garantindo 99% de acesso à água e 90% ao esgoto, ainda pode ser visto como um abismo entre o discurso e a realidade, com modestos avanços.
Em Araçariguama, os dados de 2022 mostram o tamanho do desafio: 28,48% da população sem água tratada e 50,5% sem esgoto. Ou seja, metade dos moradores ainda depende da sorte para não adoecer com males como hepatite A, leptospirose, cólera ou diarreias infecciosas. E o município mostra que não foge à regra: enquanto cidadãos consomem vídeos em alta definição na tela do celular, considerável parcela precisa conviver com a ausência de um serviço básico e essencial para a dignidade humana.
Caso os objetivos do Novo Marco Legal do Saneamento Básico não sejam alcançados, as consequências serão grandes com impacto direto na Saúde Pública e no aumento da desigualdade social. Enfim, se o Brasil não cumprir o Marco Legal, não será apenas uma meta perdida — será um fracasso civilizatório.

















