Qual será o nosso futuro? - Edison Pires
Publicado em:
17 de julho de 2019 às 18:48:49
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Com um semblante de revolta minha esposa me mostrou um vídeo que está circulando pelas redes sociais, onde crianças que se dirigem à escola têm que atravessar uma pinguela e enfrentar uma área alagada, quando se veem obrigadas a entrar na água para transpô-la. Uma delas, um garoto de pouco mais de seis anos de idade acaba encoberto por não alcançar o fundo do alagado. Depois ele sai e começa a chorar. Não sei se de medo ou de raiva porque ele começa a mostrar a roupa toda suja. Realmente o vídeo mexe com a gente. Não é segredo para ninguém que na administração pública o setor de Educação é um dos alvos prediletos de bandidos - sejam eles políticos, empresários, etc e tal pela quantidade de dinheiro que por ali circula - e que é também uma das mais importantes para a construção de um futuro melhor para todos. Essa última até parece utopia ou apenas repetição de frase feita, pois ano após ano se fala isso e nada se vê de ações ou legislação para que essa realidade mude. Assistindo ao vídeo, me pergunto: O que move essas crianças a enfrentarem tantos desafios (até risco de morte) para chegar à escola? Será que elas têm a consciência de que frequentando as salas de aula estão construindo seu futuro? O que as fazem caminhar longos quilômetros sob sol, chuva, calor, frio, poeira, lama para chegar à escola? O que as fazem assistir aulas em escolas de lata, antigos currais, amontoadas como gado, em salas sem lousas, dividindo cadeiras? Qual é a motivação? Confesso que não sei. Seria pela merenda, para garantir ao menos uma refeição ao dia? Seria por ordem dos pais que não querem sofrer as sanções da lei, que os obriga a manter seus filhos na escola? Seria o sonho de se tornar um profissional? A vida é difícil. A luta para vencer barreiras e desafios diariamente é cansativa e, passados alguns anos, cobra um preço bastante alto. Quanto vai suportar uma criança de 5 ou 6 anos de idade nessa luta diária para garantir o mínimo que precisa para ter uma vida um pouco mais digna? Será que ao primeiro sinal de "facilidade de felicidade" não vai abandonar tudo para se agarrar a isso, mesmo que seja algo ilícito? Hoje cerca de 85% dos jovens estudantes estão matriculados em escola pública. Desses, quase a metade vive condições precárias dentro e fora das salas de aula e até para chegar às escolas. Diante disso, estou chegando ao ponto de acreditar que não é a escola o futuro da nação, e, sim, o quanto de auto estima, de bondade e de resquícios de cidadania impregnados na criança é que irão definir que país teremos daqui alguns anos. Seguindo por essa hipótese, não tenho dúvidas de que haverá uma linha cada vez mais acentuada dividindo regiões e pessoas, fazendo crescer a desigualdade e tudo o mais de ruim que ela possa oferecer. A luta cada vez mais cedo a que uma criança é submetida para vencer dificuldades formará, na escola da vida e não da do conhecimento, um adulto disposto a fazer qualquer coisa para alcançar o que quer ou o que precisa. Então, pergunto: Qual futuro estamos, na verdade, construindo?




















