Parece óbvio, mas não é! - por Edison Pires
Publicado em:
2 de novembro de 2024 às 10:00:00


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A importância de a máquina pública trabalhar em prol da população é uma questão fundamental que precisa ser continuamente revisitada, especialmente à luz da realidade que enfrentamos. A ideia de que todo o serviço público deve ser para atender ao cidadão parece óbvia, mas, lamentavelmente, essa finalidade básica muitas vezes é subvertida. O Brasil, por exemplo, já arrecadou mais de R$ 3 trilhões em impostos apenas em 2024, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. Diante desse montante colossal, seria natural esperar que os serviços públicos funcionassem de forma eficaz, atendendo às necessidades básicas da população.
No entanto, o que vemos é o oposto: uma vasta faixa da população que depende do Estado para saúde, educação, segurança e outros serviços essenciais, muitas vezes enfrenta dificuldades extremas para obter o mínimo necessário. Já uma minoria tem regalias demais, paga com dinheiro público!
Essa situação torna a pergunta "Qual a importância da máquina pública trabalhar em prol da população?" não apenas relevante, mas urgente. A máquina pública existe para servir ao cidadão, para ser a mão estendida do Estado em busca de garantia de direitos básicos e justiça social. Quando o foco da administração pública se desvia dessa missão, seja por ineficiência, corrupção ou falta de planejamento, a consequência é uma população que sofre desnecessariamente.
A função do Estado (e aqui entenda-se as três esferas do Poder Executivo) é, por natureza, garantir que os recursos oriundos dos impostos sejam investidos e revertidos em políticas públicas que promovam o bem-estar coletivo. Quando isso não acontece, o próprio pacto social é colocado em risco. A desigualdade aumenta, a desconfiança nas instituições cresce e a população se sente abandonada. O resultado disso não é apenas o sofrimento individual, mas uma espiral de indignação coletiva.
O caso da saúde pública é um exemplo claro: longas filas, falta de medicamentos e profissionais sobrecarregados fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). A educação enfrenta desafios semelhantes, com escolas mal equipadas e professores mal remunerados. Mesmo áreas que deveriam ser exemplos de eficiência, como a segurança pública, falham na proteção do cidadão, enquanto o orçamento destinado a essas áreas muitas vezes é mal utilizado ou desviado.
Portanto, a máquina pública deve ser constantemente lembrada de sua verdadeira função: servir a população. A eficiência na gestão dos recursos públicos, a transparência nos gastos e a busca por resultados concretos são essenciais para reverter esse cenário. Se o Estado não trabalha em prol da população, ele falha em sua missão mais básica. E, quando o Estado falha, quem paga o preço é o cidadão.
Em nossas conversas, tio Borba sempre deixou claro que nunca concordou com o modo de agir de grande parte dos políticos. Aquele em que se cria a dependência do cidadão através de promessas que nunca serão cumpridas. Aliás, promessas daquilo que é direito do povo, mas que acaba se transformando em objeto de barganha ou moeda de troca.
Isso é uma vergonha!
Edison Pires
















