O Plano Diretor e o exame de sangue! - por Edison Pires
Publicado em:
5 de agosto de 2023 às 09:30:00


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Divulgação
A cidade de São Roque se prepara para dar continuidade às importantes discussões de atualização e reforma do seu Plano Diretor. Com o fim do recesso parlamentar, a Câmara Municipal daquela cidade convoca a população para novas audiências públicas e para interagir na tomada de decisões e definição de importantes pontos que podem afetar diretamente a realidade do município.
O Plano Diretor de São Roque é do ano de 1972, quando o advogado Henrique Luiz Arnóbio era o Prefeito. De lá para cá, o plano já foi atualizado diversas vezes acompanhando os processos de mudanças e desenvolvimento pelo qual a cidade passou ao longo dos anos. Atualmente, alguns itens referentes à área rural e ao parcelamento do solo são os principais pontos que apresentam divergências. Discussões acaloradas dentro e fora da Casa Legislativa marcam o atual momento.
Nunca é demais saber que o Plano Diretor é um instrumento de planejamento que estabelece regras que orientam e induzem o crescimento da cidade, bem como organizam as atividades urbanas e rurais, considerando, dentre outros aspectos, meio ambiente, habitação, transporte e infraestrutura urbana. Esse instrumento deve ser entendido como elemento definidor dos grandes objetivos do município, onde serão indicadas as premissas políticas, diretrizes e estratégias de intervenção, tendo como princípio orientador o pleno cumprimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, tornando a cidade acessível e justa ao conjunto de seus habitantes. O Plano Diretor é também fundamental para nortear e articular o processo de tomada de decisões, relacionadas a priorização de ações a serem implementadas nas diversas áreas pelo poder público municipal.
Enquanto o nosso vizinho se empenha em formatar plano que possibilite o seu desenvolvimento ordenado, por aqui, em Araçariguama, nada se vê nesse sentido. Não se tem notícia - se existe não é divulgada por quem a detém -, de um único movimento que aponte uma preocupação de nossas autoridades em definir um plano que balize o desenvolvimento do município e que o prepare para o tão proclamado "futuro promissor", como diz a letra do Hino Municipal. No momento em que São Roque busca a participação popular para definir passos futuros, o que se nota por aqui é uma aparente preferência ao caminho contrário, ou seja, o distanciamento do povo nas tomadas de decisões (como contratações de Secretários Adjuntos) e até mesmo da ampla divulgação de serviços públicos.
É difícil acreditar que aqueles que foram eleitos para cuidar da cidade e do bem-estar da população não se preocupem com o fato de que, ano após ano (eu disse: ano após ano), a cidade cresce num ritmo acima da média das demais de nossa região, porém sem um norte; que a procura por investidores vem num crescente e que a cidade não está preparada para esse avanço; que não temos estrutura para tal! Parecem não se preocupar com essa deficiência que vai cobrar seu preço no futuro. Dão a impressão de que levam mais a sério a política partidária do que as políticas públicas. Desse modo, correm o risco de deixar parecer que têm maior interesse em defender grupos do que a coletividade. É a impressão que deixam!
Ainda vivemos com a mesma realidade da Vila dos anos 80 e 90, basta olhar fotos antigas. As mesmas ruas estreitas e apertadas; os mesmos traçados pelo centro da cidade que trazem riscos a bens materiais e à vida humana; a instalação de indústrias de forma desordenada ao longo do tempo. Não temos uma única avenida - a não ser aquelas por denominação. Somos um município com vocação industrial, com um parque produtivo em expansão, que não consegue oferecer mão de obra um pouco mais especializada às empresas e, consequentemente, deixando de atender o trabalhador local. Uma cidade que, infelizmente, ainda é manchete por fatos negativos.
Será que realmente a grande maioria da população prefere comemorar o investimento de milhões de reais na reforma de um campo de futebol quando se tem, entre outros problemas, um sistema de Saúde que chegou a 4 meses para exame de sangue?
Não sei! Tenho minhas dúvidas!
Edison Pires
















