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O mal gerado pela conivência - por Edison Pires

Publicado em:
18 de outubro de 2025 às 14:05:00
O mal gerado pela conivência - por Edison Pires
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Em tempos de discursos que distorcem princípios conforme a conveniência e de desculpas prontas para justificar o injustificável, ou, onde o certo e o errado viraram questão de opção, impõe-se a necessidade de reafirmar o óbvio: o errado não pode ser considerado certo, nem transformado em comportamento aceitável apenas porque muita gente o pratica ou porque se prefere “fechar os olhos” para ele. Errado é errado. Sem asteriscos, sem exceções, sem jeitinhos.

Ao viver em sociedade — condição inevitável para qualquer civilização — assumimos, ainda que de forma implícita, o compromisso de respeitar leis, deveres e principalmente o espaço e o direito do outro. No entanto, cresce de forma preocupante a cultura da conivência disfarçada de tolerância: “não tem problema”, “é só um pouquinho”, “todo mundo faz”. Mas essa normalização do desvio tem efeito corrosivo. Afinal, o pequeno erro nunca é pequeno para quem sofre suas consequências.

A situação torna-se ainda mais grave quando a omissão parte justamente de quem deveria zelar pela ordem, pela ética e pela justiça. Quando a escolha é não agir para não criar desgaste popular e esperar que outros o façam para, só então dizer “fomos forçados a tomar tal decisão”, todos colaboram diretamente para o avanço do problema. Isso não é neutralidade. É cumplicidade.

Todo erro, mesmo o aparentemente insignificante, produz prejuízo social. Pode não ser percebido de imediato, mas cedo ou tarde alguém pagará por ele. E raramente será quem errou. Na maioria das vezes, a conta recai sobre o cidadão de bem, que faz o que é certo, cumpre deveres e respeita regras.

É preciso dizer claramente: insistir no erro por conveniência não o transforma em direito, apenas revela o colapso moral de quem o defende. E quando alguém passa a aceitar o errado como opção, não está sendo moderno nem tolerante — está abrindo mão de princípios fundamentais. A justiça não sobrevive onde a ética vira opinião.

Normalizar o erro é autorizar o retrocesso. O certo não pode ser negociável. Sem respeito a valores básicos, nenhuma sociedade evolui.

O errado não tem tamanho, mas consequências, seja no presente ou no futuro. E ninguém merece sofrer por algo que alguém achou que “não teria problema algum!”.

Edison Pires

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