O crime precisa do criminoso que se apresenta como pessoa de bem - EDITORIAL
Publicado em:
20 de abril de 2024 às 12:00:00


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As operações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e pela Polícia Militar, que tiveram início na segunda-feira, 15, serve como alento ao cidadão de bem que vê, nesse trabalho conjunto, a corrupção sendo combatida e, ao mesmo tempo, alguns figurões - até então se sentindo inatingíveis - sendo expostos e tendo que se explicar à Justiça.
É quase impossível saber ao certo o quanto o crime organizado está enraizado em Câmaras, Prefeituras e no próprio Estado, porém, os fatos revelados pelas investigações deixam claro que aonde ele se faz presente, o prejuízo é grande para a população. Outra certeza que se constata é que, se não houvesse dentro das instituições pessoas tão bandidas quanto aquelas que integram grupo criminoso, esse ataque ao dinheiro público não teria a menor chance de ocorrer. Por mais articulado e cheio de ramificações, o crime não obteria sucesso não fosse a participação direta de pessoas-chave (quase sempre ligadas ao primeiro escalão das instituições) para facilitar sua entrada e, consequentemente, dar início ao assalto ao dinheiro público. São indivíduos muitas vezes vistos como pessoas de bem, mas, que, na primeira oportunidade, revelam sua real vocação para a bandidagem e vida de crimes. As centenas de milhares de Reais recebidas como propina, comprovam essa tendência criminosa.
Segundo as investigações, que tiveram início há quatro anos, contratos que resultam de licitações fraudadas por quadrilha somam mais de R$ 200 milhões, onde empresas forjavam competição em licitações para contratar mão de obra terceirizada. Era tudo no "faz-de-conta, menos os pagamentos". Além disso, a qualidade dos serviços contratados quase sempre era de péssima qualidade para tornar o custo menor e o lucro imensamente maior, sem levar em conta as necessidades da população, principalmente, a mais humilde.
Só na cidade de Sorocaba apenas duas empresas levaram mais 30 milhões de reais, conforme apurado até agora. Há indícios de que as mesmas pessoas envolvidas nesses casos tenham participação em outros municípios, porém, utilizando empresas de fachada com nomes diferentes na tentativa de evitar qualquer tipo de ligação entre elas. Só que o plano parece não estar funcionando e, em breve, novos fatos poderão ser revelados ampliando possivelmente a lista de envolvidos.
Que a Justiça seja feita!
















