Não existe poder construído no grito que dure para sempre
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13 de março de 2026 às 15:00:00

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Tio Borba – o bom e honesto político das Minas Gerais -, sempre me lembrava que uma boa maneira de você ser temido (não confundir com respeitado) em qualquer situação, é sempre “gritar por primeiro e o mais alto possível”. Agindo assim, é bem possível que você consiga espantar adversários que optem por te enfrentar e, ao mesmo tempo, vai inibir tal desejo em outros tantos. Quer dizer, é uma boa tática para você se sentir inatingível!
Claro que o “gritar” não tem nada a ver com soltar um berro, mas, sim, com usar de suas prerrogativas da maneira mais radical possível. Por exemplo: Como chefe de uma equipe, não admitir ser questionado e muito menos contrariado. Deixar claro na primeira reunião que, aquele que tentar vai levar advertência, suspensão e corre grande risco de ser demitido por insubordinação. Logo na sequência, aplica uma advertência naquele colaborador que estava tomando água durante a explicação. “Tem que prestar atenção enquanto falo!”.
Além da sensação de poder infinito – posso tudo o que quiser! -, quem aplica essa regra vai reunir um grande número de puxa-sacos que farão o possível para agradar ao chefe. Isso fará um bem danado para o ego e pode abrir portas para vantagens com as quais nunca sonhou. É viver no paraíso, mesmo sabendo que vidas inocentes podem estar sendo arrastadas ao purgatório!
Só que tio Borba dizia também que, esse tipo de coisa tem prazo de validade. Na mesma velocidade e proporção com que se acumula “admiradores”, cresce também o número de inimigos silenciosos à espera de um descuido. E não precisa ser muito grande, basta uma brecha para que os dias de tirania e soberba entrem em contagem regressiva.
É nesse momento que o cenário se transforma. A voz antes arrogante perde força, o olhar intimidador deixa de causar medo e as ameaças passam a soar vazias. Aos poucos, o que era silêncio vira murmúrio. Depois, contestação aberta. E, de repente, aquelas vozes antes caladas passam a ecoar por todos os lados. E os puxa-sacos começam a fugir, como ratos!
Da noite para o dia surgem os motivos de tanta rigidez: negociatas, suborno, corrupção, vantagens escusas e, claro, a tentativa de se perpetuar no controle da vida de todo mundo. Seja numa empresa, numa cidade ou nação! Nada além de um simples ladrão. De galinhas, como disse na coluna passada.
Ao lembrar desses comentários do meu saudoso tio, percebo que estamos vivendo algo parecido nestes últimos dias. E não apenas em Brasília. Muitas máscaras estão caindo, muitos discursos estão sendo destruídos pela realidade dos fatos e a imagem do “bonzinho”, do “amigo de todos”, do “ser mais justo e inatingível” vai dando lugar à verdade. Aquela, nua e crua! Ladrão de galinha!
Há boatos – e até previsões - de que muitas surpresas devem surgir a curto prazo e mudar o rumo de tudo o que estamos vivendo. Não sei! A única certeza é que não há mal que sempre dure.
Edison Pires

















