Morre o cantor Netinho, aos 60 anos
Publicado em:
13 de outubro de 2026 às 10:00:00


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Morreu nesta terça-feira, 13, o cantor Netinho, aos 60 anos, em Salvador, na Bahia, onde estava internado. O artista tratava um linfoma não Hodgkin, câncer que se origina no sistema linfático. A morte foi confirmada pela equipe do artista em suas redes sociais. “É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, dizia o post.
O comunicado informa ainda que “Netinho partiu tranquilo. Durante os últimos meses de tratamento, costumava dizer: ‘Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.'”
Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
A carreira de Netinho
Um dos nomes que ajudaram a popularizar o axé music no Brasil, o artista baiano ganhou projeção nacional nos anos 1990 com sucessos e construiu uma carreira de quase quatro décadas, marcada por grandes êxitos, períodos de afastamento dos palcos e polêmicas.
Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966, mas foi em Salvador que encontrou a música que o levaria a uma das maiores projeções da axé music.
Ao longo de quase quatro décadas de carreira, Netinho passou dos trios elétricos do carnaval baiano ao topo das paradas nacionais, transformou Milla em um dos grandes símbolos do gênero, experimentou diferentes caminhos musicais e atravessou períodos de enorme exposição pública.
A relação com a música começou cedo. Enquanto cursava Engenharia Civil, começou a se apresentar profissionalmente em bares de Salvador, inicialmente com repertório ligado à MPB e à bossa nova. A descoberta do carnaval e dos trios elétricos mudaria definitivamente seus planos.
Da Banda Beijo à explosão do axé
Em 1988, Netinho assumiu os vocais da Banda Beijo. O grupo rapidamente se tornou uma das forças da música baiana e ajudou a levar para o restante do País uma sonoridade que ainda começava a ser identificada como axé music.
Beijo na Boca abriu o caminho para a projeção nacional, enquanto os discos seguintes ampliaram o repertório da banda.
Com Sem Repressão, lançado em 1989, a Banda Beijo combinou carnaval, pop e outros elementos musicais. O trabalho também carregava temas sociais e ambientais, mostrando que o repertório de Netinho não se limitava às canções festivas.
No ano seguinte, o cantor protagonizou uma das imagens mais marcantes de sua primeira fase: levou um trio elétrico para a Itália durante a Copa do Mundo de 1990, onde se apresentou para torcedores em Turim.
Em 1991, veio Badameiro. No ano seguinte, a banda lançou Aconteceu Axé Music, título que incorporava justamente a expressão usada para identificar o movimento musical que ganhava força nacionalmente. O álbum produziu uma sequência de sucessos, entre eles A Vida É Festa, que integrou a trilha sonora da novela Mulheres de Areia, e rendeu a Netinho seu primeiro Disco de Ouro.
Naquele período, o cantor levou também um trio elétrico à orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em uma apresentação que ajudou a simbolizar a expansão do carnaval baiano para além de Salvador
A saída da Banda Beijo abriu espaço para a carreira solo. Em 1993, Netinho lançou Um Beijo pra Você, primeiro álbum dessa nova etapa. Vieram depois Nada Vai Nos Separar e Netinho, até que, em 1996, sua trajetória atingiu o ponto de maior popularidade.
‘Milla’ e o auge nos anos 1990
Gravado em Aracaju, no Sergipe, Netinho ao Vivo! reuniu músicas que já faziam parte do repertório do cantor e apresentou aquela que se tornaria sua assinatura: Milla.
A canção ultrapassou as fronteiras do axé, ganhou as rádios de todo o Brasil e passou a ser cantada por diferentes gerações.
O sucesso foi acompanhado por números expressivos. Segundo o próprio arquivo biográfico do artista, o álbum recebeu certificação de Disco de Diamante e ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias vendidas.
Netinho passou a fazer uma agenda intensa de shows e se tornou um dos rostos mais conhecidos da música brasileira naquele momento. Milla foi regravada em diferentes países e idiomas, enquanto o cantor lançava trabalhos e ampliava sua presença fora da Bahia.
A fase de enorme exposição, porém, não duraria para sempre. Depois de uma sequência de discos e apresentações, Netinho decidiu reduzir o ritmo. Em 2003, interrompeu a carreira por um período para dedicar mais tempo à sua única filha, Bruna.
O cantor retornou posteriormente aos palcos e continuou lançando trabalhos, entre eles Minha Praia, de 2008, Uma Noite no Forró Elétrico, de 2012, e projetos posteriores que mantiveram sua produção musical.
















