Feminicídio: a crise da violência contra a mulher não para de crescer - EDITORIAL
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1 de março de 2025 às 13:00:00

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O aumento alarmante dos casos de feminicídio no Estado de São Paulo expõe, mais uma vez, a brutalidade da violência de gênero e a urgência de medidas efetivas para conter essa tragédia. O caso recente de uma jovem de 27 anos, mãe de dois filhos, assassinada a facadas em Mairinque na noite do sábado, 21 de fevereiro, reforça o ciclo que atinge milhares de mulheres. Seu companheiro, que foi preso na 4ª feira, confessou o assassinato. Uma realidade que se repete em grande parte dos crimes dessa natureza.
Os números são estarrecedores. Em 2024, a Secretaria de Segurança Pública do Estado registrou 250 casos de feminicídio, o maior índice já contabilizado e um aumento de cerca de 13% em relação a 2023, quando foram registrados 221 casos. A estatística escancara a ineficiência de políticas públicas e a persistência de uma cultura machista que perpetua a violência.
Em Araçariguama, o último caso registrado foi em outubro de 2024. O marido da vítima confessou ter desferido 12 facadas na esposa por ciúmes. O padrão se repete: homens que não aceitam o fim do relacionamento ou a autonomia feminina e recorrem à violência extrema para reafirmar o controle sobre suas companheiras.
No âmbito global, os dados são igualmente aterradores. Segundo um relatório da ONU divulgado no ano passado, 70% de todos os homicídios de mulheres são cometidos por parceiros íntimos ou familiares. A cada 10 minutos, uma mulher ou menina é morta em alguma parte do mundo, muitas vezes em casa, no bairro ou no local de trabalho, na frente de outras pessoas.
Com o Dia Internacional da Mulher se aproximando, os números deixam evidente que há pouco a se comemorar. É urgente fortalecer o aparato de proteção às vítimas, aprimorar a aplicação da Lei Maria da Penha e endurecer as penalidades contra agressores. Mas, acima de tudo, é preciso uma transformação cultural profunda, que comece na educação e desafie as estruturas que naturalizam e perpetuam a violência contra a mulher. Sem isso, os feminicídios continuarão sendo notícias frequentes, enquanto vidas são brutalmente interrompidas pelo machismo e pela negligência da sociedade como um todo.

















