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Comando Vermelho mandou baixar preço dos combustíveis? Prazo terminou nesta terça-feira
Publicado em:
3 de novembro de 2021 às 12:27:40
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Na última semana, os principais portais de notícias do país deram destaque a uma mensagem atribuída ao Comando Vermelho (CV) exigindo a redução dos preços dos combustíveis em Manaus (AM) no prazo de uma semana. Caso contrário, os postos seriam incendiados.
O suposto “salve” - como são chamados os recados originados na cúpula das organizações criminosas - foi publicado na quarta-feira, 27, em uma rede social por um homem que seria líder do CV, grupo carioca que domina o tráfico de drogas na capital do Amazonas, uma das mais violentas do país.
De lá para cá, os preços continuaram nas alturas, com o litro da gasolina chegando a R$ 7 na região metropolitana de Manaus, sem qualquer ação violenta por parte da facção.
Especialistas ouvidos pelo Brasil Fato, site do Amazonas, desconfiam da veracidade da mensagem e alertam: ela pode ser uma fake news útil ao processo de militarização da segurança pública no Amazonas, considerado ineficaz no combate ao crime.
"Fake salve"
“Parece mais um fake salve, o que tem acontecido muito. Não há nenhum precedente do crime explodindo postos de gasolina. Essas organizações não têm uma prática desse grau de violência e de espetáculo”.
A análise é de Fabio Candotti, professor de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Segundo ele, ações violentas dos grupos criminosos brasileiros costumam se dirigir às autoridades de estado, não à população em geral.
Na conta do pesquisador, que monitora a atuação do crime organizado há 15 anos, não seria a primeira vez que uma ameaça falsamente atribuída ao CV deixa a população em alerta.
"Em junho deste ano houve um ‘salve’ do Comando dizendo que eles iam botar fogo em ônibus com criança e idoso dentro. Isso não faz sentido, inclusive porque as pessoas que andam de ônibus são os parentes dos integrantes das facções”, lembra.
Outro estudioso da criminalidade urbana, o professor de Geografia da Universidade Estadual do Pará (UEPA) Aiala Couto, autor do livro “A Geografia do Crime na Metrópole: das redes ilegais à ‘territorialização perversa’ na periferia de Belém”, também desconfiou das manchetes que anunciavam a ameaça.
“Há a possibilidade de que algum integrante do grupo [Comando Vermelho] possa estar disparando essa informação de maneira equivocada como forma de tentar mostrar aproximação com o povo, sobretudo defendendo os interesses da população. E pode ser que seja muito mais um texto fake’”, pondera
Em nota, o Sindicombustiveis-AM, que representa os empresários do setor, afirmou que não viu veracidade na ameaça. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que não emitirá posicionamento sobre o caso.
Apoio popular?
Nas redes sociais, a suposta ameaça contra o aumento dos combustíveis gerou manifestações favoráveis ao Comando Vermelho, deixando claro a insatisfação popular com a incapacidade do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) de controlar o preço dos insumos.
“Até que enfim alguém para nos defender”, “Se os governantes só querem roubar, alguém tem que defender os trabalhadores” e “A bandidagem está tendo mais consideração com o povo do que os governantes”: essas foram algumas das reações de internautas registradas pelo Brasil de Fato.
Fonte: Brasil de Fato – Reportagem: Murilo Pajolla – Publicado em 01/11/2021bottom of page


















