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Com laudo de caligrafia, polícia identifica aluna suspeita de pichar frases racistas na UFSCar de Sorocaba

Publicado em:
6 de maio de 2026 às 18:58:00
Com laudo de caligrafia, polícia identifica aluna suspeita de pichar frases racistas na UFSCar de Sorocaba
Divulgação
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A Polícia Civil identificou, por meio de um laudo de análise de caligrafia, a aluna suspeita de fazer pichações racistas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba. Com base na prova, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou a jovem à Justiça e pede uma indenização de R$ 2 mil por danos morais a cada uma das vítimas.


O caso veio à tona em 29 de agosto de 2024, quando estudantes encontraram pichações racistas em vários locais da universidade. As frases, com ofensas como "imunda" e "preta suja", eram direcionadas a alunas específicas. 

A autoria foi comprovada por um laudo grafotécnico, que comparou a caligrafia da estudante com as frases pichadas. Segundo o documento, ao qual o g1 teve acesso, a aluna precisou reescrever as frases racistas 40 vezes para a análise da perita, que apontou "convergências gráficas" entre os escritos.

Com base na prova, o MPSP protocolou a denúncia na Justiça em 28 de abril. Para o promotor Gustavo dos Reis Gazzola, a aluna agiu para humilhar as vítimas. "A denunciada agiu com inequívoco intuito de humilhar e menosprezar as vítimas em razão de sua raça e cor, chamando-lhes de 'pretas sujas e fedidas'. [...] A pichação [...] incita o ódio", diz o promotor no documento.


A estudante tem até sexta-feira (8) para responder à acusação. O promotor justifica o pedido de indenização de R$ 2 mil para cada vítima "em razão do expressivo abalo emocional sofrido".

O g1 entrou em contato com a defesa da aluna, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Relembre o caso


As estudantes relatam que, ao chegarem ao campus para verificar as pichações, foram recebidas com hostilidade por seguranças. Segundo elas, uma das vítimas, que estava visivelmente abalada, foi repreendida.

"Ao perceberem o estado emocional da vítima, ao invés de oferecerem apoio, começaram a gritar com ela, exigindo saber se ela era realmente a vítima das pichações", diz o relato. "Eles pareciam mais preocupados em controlar a situação de forma autoritária do que em oferecer qualquer tipo de suporte", completa.


Em reunião com a diretoria da universidade, as alunas afirmam ter sentido "falta de interesse" na apuração. Segundo elas, a gestão ignorou pichações em algumas áreas e deu informações conflitantes sobre as câmeras de segurança.

"Questionamos a diretora sobre a funcionalidade das câmeras. Em resposta, ela disse que as imagens haviam sido solicitadas. Porém, dias depois, ela revelou não saber que as câmeras estavam em manutenção", afirmam as estudantes.

As alunas afirmam que o episódio não é um caso isolado. "Infelizmente, a UFSCar convive muito com o racismo. Nos jogos universitários, alunos imitaram um macaco para um estudante negro. Pichações também já ocorreram muitas outras vezes. [...] Os estudantes têm medo de denunciar", alegam.


Fonte: g1

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