Café com bolo ou rabo-de-galo? - por Edison Pires
Publicado em:
10 de maio de 2025 às 11:00:00


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Admiro demais minha colega de jornal a veneranda, a danada (que não é cachaça) a: Sogrinha. Gostaria de convidá-la para tomar um café forte com uma suculenta fatia de bolo de laranja aqui em casa para trocarmos ideias e vivências, como sempre fiz com meu saudoso Tio Borba. Se bem que, pelo vigor que vejo em suas matérias, ela iria preferir um rabo-de-galo com ovo cozido colorido!
Em sua coluna da semana passada, ela foi cirúrgica ao falar sobre essa "guerra" que se desenrola nas redes sociais em nossa cidade e que expõe toda a fragilidade que nos cerca. Em poucas palavras a danada tocou no ponto certo, ao afirmar que não há (não houve e possivelmente não haverá) em momento algum a intenção ou a iniciativa por parte dos acusados (seja de qual lado for), em rebater ou, ao menos, tentar mostrar que as críticas são indevidas.
Não! Ninguém se defende! A preocupação maior é debochar, criticar e abrir processos no judiciário.
O único que começou a cobrar verdades é aquele que faz denúncias contra a gestão municipal. Pelo que vi, disseram que ele é chegado numa canjebrina (pode ser com "g" também) e outras substâncias. Ele nega e passou a oferecer recompensa a quem comprove o que está sendo dito.
Agora, do outro lado, principalmente da gestão municipal, não se vê nada! Pelo menos não tenho visto. E isso é muito ruim. Se as críticas fossem ignoradas seriam apenas palavras ao vento. Mas, não, há respostas. Só que as respostas não desmentem, ou explicam ou esclarecem o que foi denunciado. Elas apenas buscam ridicularizar o(s) autor(es) e desviar a atenção para outro assunto. Por exemplo: uma denúncia sobre os problemas no prédio do PA. Ninguém fala que é mentira e que está tudo em ordem, ou, que sim, há problemas e eles serão corrigidos. Não! Se preocupam apenas em criticar quem criticou ou denunciou.
Aquele que está no meio da confusão envolvido nos debates, nas críticas, nas acusações etc e tal, por diversas razões, pode não perceber, mas o que está acontecendo é muito ruim para a cidade. Não se pode esquecer que grande parcela dos munícipes não tem interesse nessa situação. Eles querem apenas que o município funcione da melhor maneira possível e que os problemas sejam sanados. O mesmo serve para investidores e empresários.
Agora, se as críticas não têm as devidas respostas, acaba ficando claro que elas são verdadeiras, né? Afinal, não é comum deixar de rebater uma mentira com a intenção de apenas criticar quem denunciou. Esse tipo de situação vai mostrando que a cidade não está lá essas coisas e que as denúncias têm fundamento. "Quem cala consente", já diz o ditado popular.
Quando uma crítica é ignorada ou desqualificada sem argumentos, ela tende a ganhar força. O silêncio ou a zombaria não dissipam dúvidas; pelo contrário, alimentam especulações e desconfianças. A população, que busca soluções e transparência, acaba por interpretar a falta de resposta como uma confirmação das denúncias.
É fundamental que aqueles em posição de liderança compreendam que a comunicação eficaz vai além de discursos vazios ou ataques a quem questiona. É preciso ouvir, esclarecer e, quando necessário, corrigir. Somente assim se constrói uma relação de confiança mútua, essencial para o progresso e bem-estar coletivo.
Em tempos em que a informação circula rapidamente e as redes sociais amplificam vozes, é imperativo que a gestão pública adote uma postura proativa e transparente. A falta de respostas claras e fundamentadas não apenas prejudica a imagem dos envolvidos, mas compromete o desenvolvimento da cidade como um todo.
Já para aqueles que fazem críticas ou que apontam supostos ou irrefutáveis erros, sugiro que o façam de uma maneira voltada a buscar soluções ao invés de confusão. Tio Borba me deixou um ensinamento que carrego todos os dias da minha vida. Ele dizia assim: "Nunca perca a razão de ter razão"!
Edison Pires
















