A Justiça não pode virar Poder - por Edison Pires
Publicado em:
4 de setembro de 2026 às 17:04:00


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A decisão de André Mendonça foi corajosa — e, para muitos, surpreendente. Ao avançar sobre uma investigação que envolve ninguém menos que Alexandre de Moraes, Mendonça mostrou que, dentro do Supremo, ainda pode haver espaço para o enfrentamento institucional, mesmo quando o alvo é um dos ministros mais poderosos da Corte.
A decisão pegou muita gente de surpresa justamente porque Moraes se tornou conhecido pela mão pesada contra seus adversários políticos. Prisões, bloqueios e decisões duras marcaram sua atuação nos últimos anos. Agora, é ele quem precisa lidar com questionamentos que exigem investigação e, se for o caso, responsabilização.
Há ainda uma questão que merece atenção: em determinados episódios, Moraes esteve no centro dos acontecimentos acumulando papéis que provocaram forte controvérsia — investigador, acusador, vítima e julgador. Mesmo que existam justificativas jurídicas para cada situação, a concentração de funções em uma mesma autoridade inevitavelmente levanta uma pergunta: quem fiscaliza quem tem tanto poder?
Não se trata de condenar Moraes antecipadamente. Suspeita não é prova. Mas, se as investigações eventualmente comprovarem abuso de poder, tráfico de influência, corrupção ou qualquer outro crime, a toga não poderá ser usada como escudo.
A coragem de Mendonça, neste momento, está justamente em lembrar algo que parece óbvio, mas que às vezes é esquecido: ninguém está acima da lei.
Nem políticos. Nem empresários.
E muito menos ministros do Supremo.
Porque quando a Justiça concentra poder demais em poucas mãos, existe o risco de deixar de ser apenas Justiça.
E virar Poder.
Edison Pires
















