Transporte público: emergência declarada - EDITORIAL
Publicado em:
27 de fevereiro de 2026 às 17:14:00

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O transporte público, com atenção especial ao intermunicipal, tem transformado a vida do usuário de Araçariguama num verdadeiro teste de paciência e de desafios, causando problemas que podem, inclusive, transformar negativamente sua vida.
A alegação da prestadora do serviço sobre o baixo número de passageiros – e daí a inviabilidade da continuidade da linha ou de horários – é plausível e de fácil entendimento. Não há empresa que resista trabalhar no vermelho por muito tempo e, muito menos, sem nenhuma perspectiva de uma solução imediata. Sem passageiros suficientes, não há como a empresa arcar com os custos da operação e a desativação do itinerário ou diminuição de linhas, é certa!
Porém, há o outro lado. Como ficam os passageiros quando uma linha é desativada ou um horário é cancelado? Sejam 5, 10 ou 15 passageiros, esses assumiram compromissos, muitas vezes profissionais, e utilizavam o transporte para chegar ao local de trabalho. Planejaram suas vidas em razão do emprego, assumiram compromissos até mesmo financeiros com base no salário e, agora, sem transporte, o risco de demissão se faz presente. O que fazer?
Há ainda um terceiro elemento nessa equação que é a do empregador, que contratou o funcionário e precisa dele durante o expediente. Não resta dúvida de que ele terá que substituir o funcionário por um que consiga chegar no horário e, assim, atender suas necessidades. Isso cria uma rotina perversa de instabilidade, desemprego e prejuízos sociais.
Nossa Redação tem recebido inúmeras mensagens de passageiros solicitando o retorno da linha Araçariguama a Itapevi, os horários removidos da linha São Roque a Araçariguama e Araçariguama a Pirapora, e, a ampliação de novos horários. Isso mostra que Araçariguama vive uma realidade diferente de 10 ou 15 anos atrás. Mostra ainda que o setor do transporte público – principalmente o intermunicipal – assim como diversos outros setores do município, também não evoluiu e está parado no tempo.
Suprimir linhas e horários é uma solução extrema e limitada, que enxerga apenas um dos lados do problema. O momento exige diálogo, planejamento e, sobretudo, alternativas que conciliem a viabilidade econômica do serviço com a necessidade social da população. Isso só será possível com a atuação efetiva do poder público, o engajamento das forças políticas e a construção de soluções conjuntas. E não é para amanhã, é para ontem!
A realidade atual deixa uma lição clara: não há crescimento nem desenvolvimento quando os problemas são simplesmente ignorados. Eles precisam ser reconhecidos, debatidos e enfrentados com responsabilidade e agilidade. Não dá para esperar, não pode haver espaço para a morosidade e para a burocracia. Garantir mobilidade é garantir dignidade, acesso ao trabalho e oportunidades. E isso deve ser prioridade, sempre.
Suprimir linhas e horários é uma solução extrema e limitada

















