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Quando a estatística atropela a realidade - por Edison Pires

Publicado em:
21 de junho de 2025 às 12:00:00
Quando a estatística atropela a realidade - por Edison Pires
Crédito Imagem:
Divulgação

Muitas decisões sobre investimentos públicos são tomadas com base em estatísticas. Porém, em algumas cidades vai na base do olhômetro mesmo, tipo assim, “acho que é o suficiente!”. E é fácil observar que essa realidade muitas vezes está distante do que a população vive e necessita.


Pode reparar, a maioria dos investimentos sempre ficam aquém do necessário. Quando entregues à população, muitas vezes já estão defasados. Culpa da falta de planejamento, conhecimento e, claro, de decisões tomadas em gabinetes, baseadas apenas em relatórios e distante dos problemas reais.

“Vamos construir duas novas salas de aulas em tal escola”, promete o gestor. Mas na verdade, a construção é para atender o agora, sem se preocupar com o amanhã. E, pode ter certeza de que, em muitos casos, quando as duas salas forem entregues, nota-se que deveriam ter sido quatro!

Isso também acontece na área da Segurança, tanto das cidades quanto no monitoramento das estradas. Um bom exemplo é o nosso “Acesso”, apelido dado à Rodovia Prefeito Lívio Tagliassachi, que nos liga à cidade de São Roque. Por qual motivo será que há uma mínima fiscalização nesses 9 quilômetros de estrada? Por qual motivo será que os órgãos responsáveis pela segurança dos motoristas e passageiros, pouco liga que ocorra toda sorte de infração sem punição? Carretas a “centos por hora” colando na traseira e empurrando o carro da frente. Apressadinhos ultrapassando em faixa dupla, pelo acostamento e até pelo acostamento da pista contrária. Motociclistas andando pelo “corredor” ou dividindo a mesma faixa para ultrapassagens em alta velocidade. Um caos, que só ocorre pela irresponsabilidade e a certeza da impunidade. Que ocorre porque os infratores sabem que não serão punidos. Que a lei quase nunca está presente nesses 9 quilômetros. Quem disser que é mentira que mostre o cronograma ou relatório das fiscalizações que ocorrem nesse trecho. Por que, com certeza, há uma ordem superior que determina fiscalização em tal e tal lugar, não há!?

E se alguém acha que as obras de duplicação tiraram a coragem dos infratores, está enganado. A imprudência continua em alta nessa estrada tão perigosa, que até ganhou o nome de “rodovia da morte”. Sei disso porque na sexta-feira passada fui até São Roque e voltei no começo da noite e, olha, é um absurdo o que acontece por lá! São cerca de 10 minutos numa viagem que parece não ter fim. Farol alto na cara ou carro todo apagado; carro e moto ultrapassando ao mesmo tempo; conversões proibidas. É uma verdadeira loteria chegar ileso na outra ponta da rodovia!

E quer saber o motivo de não haver fiscalização mais intensa no Acesso? É que a estatística mostra que há perigo maior em outras rodovias. Isso foi dito em reunião do Conseg! Quer dizer, deixa rolar o que quiser no Acesso. Será que a vida de quem trafega pelo Acesso vale menos do que a de quem usa o Rodoanel, por exemplo? Será que essa estatística vai suprir a ausência de um pai de família, de um filho, de uma mãe vítima de acidente no Acesso?

Acho que está na hora de alguns posicionamentos e decisões serem revistas. Porque quem só decide em gabinete, longe do problema, corre o risco de planejar bem com base nas estatísticas, mas errar feio ao se deparar com a vida real.

É impossível que alguém concorde que está tudo em ordem!

Edison Pires

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