O que realmente queremos? - Edison Pires
Publicado em:
1 de março de 2020 às 18:00:12
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“Brasil: Ame-o ou deixe-o!”. Pode ser que algumas pessoas não se lembrem dessa frase ou nunca a tenham visto, o que acho difícil. Mas a maioria, principalmente na minha faixa etária (aquela dos “enta”) com certeza sabe do que estou falando. Esse slogan, criado durante o Governo Médici, fez parte da publicidade dos tempos da ditadura militar e radicalizava na proposta de “quem não está contente, que se mande daqui”. Aliás, só por curiosidade, o governo do general Ernesto Garrastazu Médici ordenou a total censura a livros, filmes, músicas e quaisquer outros tipos de manifestações contra o regime e, por outro lado, ofereceu ao País o chamado “milagre econômico”(?). Com uma série de medidas que visavam o investimento interno, o Brasil conseguiu a proeza de ter uma taxa de crescimento de 12% ao ano.
Voltando ao assunto, tirando os exilados, ou seja, aqueles que foram forçados a sair do Brasil, um bom número de brasileiros, principalmente jovens estudantes, não encontraram outra maneira senão buscar seus horizontes em outros países. Foi uma era “romântica” e de “aventura” em busca da liberdade e da esperança! Esse momento foi tão fascinante que rendeu até minissérie e, realmente, os dias eram assim!
Com a redemocratização, o Brasil viveu momentos de novas turbulências política/econômica, e a frase “ame-o ou deixe-o” sofreu mudanças deixando para trás o sentido de imposição passando, agora, para o de “opção”. Sim, deixar o País passou a ser uma escolha e não uma ordem.
Viver no exterior, além de representar boas oportunidades na vida profissional, era também sinal de status, de glamour. Era chique, como diriam à época. Estados Unidos, França, Inglaterra, Portugal, eram alguns dos destinos mais procurados. Milhões de brasileiros acreditavam que a única chance de se alcançar uma vida digna e de prosperidade era deixar o Brasil. Só que apenas alguns milhares conseguiram correr atrás dessa oportunidade a qual, diga-se a bem da verdade, não foi alcançada por todos!
Mais de três décadas depois do “ame-o ou deixe-o”, as coisas mudaram mais uma vez. Aqui no Brasil nem tanto. Continuamos em crise política/financeira, só que agora podemos acrescentar “moral” a este pesadelo. Em compensação, lá fora tudo mudou radicalmente. Estrangeiros não são mais bem-vindos; onda de refugiados invadindo países inteiros gera crises sociais, de emprego e até de abastecimento. Diante dessa nova fase, a frase agora é: “eu não quero viver em outro país; eu quero viver em outro Brasil”.
Esse novo pensamento é de um patriotismo extremo, aquele que vem da raiz. Não é o imposto pela violência e pela ditadura; não é o de um simbolismo aventureiro; mas é o de consciência. Se assim pensarmos, pode ser que este seja o nosso grande momento e, daí a oportunidade de enxergar que cabe a nós, cidadão e governo, construir outro Brasil, menos pobre, menos corrupto, menos violento e com melhores hábitos; um país onde morar seja seguro, onde se possa ter alegria de viver e a oportunidade de realizar sonhos de forma digna, sem roubalheira!
As crises e as derrotas produzem lições e nos ajudam a mudar para melhor. Resta saber se a sociedade vai captar esta mensagem. Só o tempo dirá.

















