O grito dos que temem a verdade - por Edison Pires
Publicado em:
10 de abril de 2026 às 11:40:00

Divulgação
Crédito Imagem:
Não faz muito tempo, algo entre quatro e cinco semanas, recordei nesta coluna uma velha máxima do sempre querido Tio Borba, figura clássica da política das Minas Gerais: quando alguém eleva demais o tom, parte para a intimidação e tenta transformar questionamentos em ataques pessoais, quase sempre há algo além da indignação aparente. Em geral, existe o receio de que algum erro grave venha à luz.
O comportamento é conhecido. Diante de fatos incômodos, certos personagens públicos escolhem a estratégia mais previsível: gritam mais alto, vestem a fantasia da perseguição e convocam seus seguidores mais obedientes para o ataque. A intenção não é esclarecer, muito menos debater. O objetivo é criar fumaça suficiente para esconder o incêndio.
É um método antigo. A truculência passa a servir como escudo, enquanto a vitimização funciona como peça central de um roteiro cuidadosamente ensaiado. Quem questiona vira inimigo. Quem cobra responsabilidade é tratado como ameaça. E qualquer tentativa de trazer luz ao assunto recebe imediatamente a pecha de complô, má-fé ou perseguição política.
No fundo, essa reação revela mais fragilidade do que força. Pessoas equilibradas e preparadas não costumam recorrer ao destempero para sustentar suas posições. Já os despreparados, incapazes de se manter pela competência, pela serenidade ou pela honestidade dos atos, acabam encontrando na confusão o ambiente ideal para sobreviver.
Mais uma vez, Tio Borba parece não ter errado.
Os fatos revelados na última semana, reforçados pelos elementos que continuam surgindo nesta, ajudam a compreender o nervosismo de determinadas figuras em tentar desacreditar um episódio grave e que merece atenção da sociedade. O que antes parecia exagero de alguns começa a ganhar contornos de preocupação legítima, sustentada por provas e versões difíceis de ignorar.
Talvez o ponto mais perturbador seja perceber que, no auge do desespero, até uma situação de emergência acabou cedendo espaço a um movimento nitidamente político, partidário e de viés eleitoral. A dor alheia, que deveria impor respeito e responsabilidade, foi empurrada para o canto, enquanto a prioridade parecia ser outra: proteger e preservar projetos de poder.
Ainda é cedo para conclusões definitivas, e a cautela segue indispensável. Mas uma coisa já se desenha com nitidez: será interessante acompanhar, nas próximas semanas, o repertório de justificativas que surgirá para tentar explicar aquilo que, a cada nova revelação, se mostra cada vez mais difícil de defender.
Quando o barulho é excessivo, quase sempre é porque o silêncio dos fatos assusta.
Edison Pires

















