Nova Raposo ameaça cinturão verde de São Paulo
Publicado em:
7 de julho de 2025 às 21:09:00

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EcoRodovias, que desembolsou R$ 2,2 bi pela concessão, diz que estuda traçado e promete atenuar impacto em áreas de proteção ambiental
Após desembolsar R$ 2,2 bilhões para levar a concessão da Nova Raposo e ver suas ações se valorizarem com as perspectivas abertas pelo novo negócio, a EcoRodovias está diante de um obstáculo. Grupos ambientalistas estão se articulando para tentar impedir uma das obras previstas pelo empreendimento.
O projeto é considerado essencial pelo governo do Estado de São Paulo para aliviar o estrangulamento do sistema viário que conecta os municípios da região metropolitana da capital, mas a nova estrada pode colocar em risco o cinturão verde que regula o clima da metrópole e garante seu abastecimento de água.
Com quase 18 quilômetros de extensão e quatro pistas, além do canteiro central, em traçado proposto pelo governo paulista, a nova via cruzaria três municípios, Cotia e Embu das Artes e e Itapecerica da Serra, duplicando uma rodovia estadual e sete estradas municipais, algumas sem pavimentação hoje.
De acordo com o projeto preliminar, o empreendimento atravessaria uma área de proteção ambiental municipal, a APA Embu Verde, e se aproximaria das bordas da Reserva Florestal de Morro Grande, propriedade da Sabesp, a companhia estadual de água e saneamento básico.
Ninguém questiona a necessidade de fazer algo para desafogar o trânsito no entorno da cidade de São Paulo, mas as dúvidas em torno do impacto do projeto são uma amostra dos desafios que governos e empresas precisam enfrentar para modernizar a infraestrutura do país sem causar mais degradação ambiental.
A EcoRodovias diz que ainda está estudando o traçado indicado pelo governo e submeterá uma proposta definitiva a consulta pública após a conclusão dos levantamentos. “A ampliação será executada em conformidade com as diretrizes dos órgãos públicos competentes e a legislação, inclusive ambiental, e com base em critérios técnicos, sempre com o compromisso de minimizar impactos socioambientais”, afirmou a empresa, por meio de nota.
Os grupos ambientalistas, no entanto, temem que os riscos acabem sendo desconsiderados. “Fomos surpreendidos pelo projeto, que não parece ter sido bem avaliado pelo governo antes do leilão da concessão”, diz Rodolfo Almeida, conselheiro da Sociedade Ecológica Amigos de Embu.
Os ativistas já realizaram duas audiências públicas para discutir o problema e contrataram um
escritório de advocacia para avaliar ações no campo jurídico. Um vídeo produzido pelos grupos, com imagens aéreas de um pedaço intocado da floresta na região, alcançou 240 mil visualizações no Instagram.
Fonte: UOL

















