Missão lunar Artemis 2 bate recorde de distância da Terra
Publicado em:
7 de abril de 2026 às 15:00:00

NASA
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Astronautas ultrapassaram distância de 248 mil milhas do planeta
Os quatro astronautas da missão Artemis 2, da Nasa, atingiram nesta segunda-feira um feito histórico ao chegar ao ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos. A nave Orion, que está em viagem desde o lançamento realizado na Flórida na última semana, segue em rota de assistência gravitacional da Lua para um raro sobrevoo tripulado pelo lado oculto do satélite natural.
No sexto dia da missão, a tripulação despertou por volta das 11h50 (horário de Brasília) com uma mensagem especial gravada pelo lendário astronauta Jim Lovell, veterano das missões Apollo 8 e Apollo 13, que morreu no ano passado, aos 97 anos.
“Bem-vindos à minha antiga vizinhança”, dizia a gravação. “Hoje é um momento histórico. Sei que vocês terão muito trabalho, mas não deixem de admirar a paisagem. Boa sorte.”
Ainda nesta segunda-feira, os astronautas superaram a marca de 248 mil milhas (cerca de 400 mil km) da Terra, ultrapassando o recorde estabelecido em 1970 pela missão Apollo 13, quando uma falha grave obrigou Lovell e sua equipe a utilizarem a gravidade lunar para retornar em segurança.
Mais tarde, a expectativa era de que a Artemis 2 alcançasse sua distância máxima de 252.755 milhas, o equivalente a 4.117 milhas (6.626 km) além do recorde que permaneceu intacto por 56 anos.
A missão é comandada pelos astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.
Nomes para crateras lunares
Durante a viagem, a equipe aproveitou para sugerir nomes provisórios para crateras e formações lunares ainda sem designação oficial.
Em comunicação com o centro de controle em Houston, Hansen propôs que uma das crateras recebesse o nome Integrity, em referência ao nome dado à cápsula Orion. Outra formação, localizada na transição entre o lado visível e o oculto da Lua, foi sugerida em homenagem a Carroll, falecida esposa do comandante Reid Wiseman.
Emocionado, Hansen relembrou a perda da companheira do colega.
“Há alguns anos começamos essa jornada como uma família muito unida e perdemos alguém muito querido”, disse, com a voz embargada. “É um ponto brilhante na Lua, e gostaríamos de chamá-lo de Carroll.”
Vista rara do lado oculto
Se a missão seguir dentro do previsto, a cápsula passará pelo lado mais distante da Lua a cerca de 4 mil milhas de altitude, proporcionando uma visão rara da face escura do satélite, enquanto a Terra aparecerá ao fundo com tamanho semelhante ao de uma bola de basquete.
Como a Lua possui rotação sincronizada com sua órbita ao redor da Terra, o lado oculto permanece sempre voltado para longe do planeta. Até hoje, apenas astronautas das missões Apollo tiveram a oportunidade de observar diretamente essa região.
O momento marca o auge da Artemis 2, primeiro voo tripulado do programa Artemis, sucessor das missões Apollo e responsável por recolocar humanos nas proximidades da Lua após mais de 50 anos.
Programa mira retorno à Lua
O plano bilionário da Nasa prevê novas missões para levar astronautas novamente à superfície lunar até 2028, antecipando-se à China, além de estabelecer uma presença permanente dos Estados Unidos na Lua na próxima década.
A ideia é criar uma base de longo prazo que sirva como laboratório para futuras viagens tripuladas a Marte.
A última vez que humanos caminharam na Lua foi em 1972, durante a missão final do programa Apollo.
Fotos inéditas e apoio científico
Durante o sobrevoo, previsto para durar cerca de seis horas, a tripulação enfrentará momentos de escuridão e pequenos apagões de comunicação, causados pelo bloqueio do sinal da Rede de Espaço Profundo da Nasa, sistema global de antenas responsável pelo contato com a nave.
A bordo, os astronautas utilizarão câmeras profissionais para registrar imagens detalhadas da Lua pelas janelas da Orion, captando ângulos raros e de grande valor científico, incluindo o reflexo da luz solar nas bordas do satélite.
Eles também deverão fotografar um fenômeno incomum: a Terra “nascendo” e “se pondo” no horizonte lunar, em um espetáculo visual semelhante ao nascer da Lua visto do nosso planeta.
Enquanto isso, dezenas de cientistas reunidos na Sala de Avaliação Científica do Centro Espacial Johnson, em Houston, acompanharão em tempo real as descrições dos astronautas, anotando detalhes observados durante o voo.

















