O Ministério da Saúde informou o governo paulista de que irá entregar uma remessa de vacinas da Pfizer contra aCovid-19 no nível praticado até o corte de 50% registrado nesta semana.
A chamada pauta de distribuição de imunizantes para todos os estados, enviada na noite de quinta-feira, 5, para as secretarias estaduais de Saúde, diz que São Paulo irá receber um reparte de 682.110 doses do fármaco na semana que vem.
Isso equivale a cerca de 19,5% das poucas mais de 3,5 milhões de unidades que serão enviadas para todo o Brasil.
Com isso, é retomado o nível usual de entrega, ao menos na previsão. O governo federal divide de forma proporcional à população dos estados os lotes de vacina. São Paulo responde por cerca de 23% dos moradores do Brasil.
Nesta semana, contudo, chegaram ao estado 228 mil doses de Pfizer, metade do combinado. O ministério negou que quisesse prejudicar São Paulo, afirmando que apenas estava equalizando a distribuição.
Afirmou também que não é obrigado a enviar doses de forma proporcional, o que vai contra a praxe do Programa Nacional de Imunização.
O governador paulista, João Doria (PSDB), apontou intencionalidade do governo de Jair Bolsonaro, presidente que é seu rival político e com quem disputa a eleição no ano que vem para o Palácio do Planalto.
Doria pediu estudo de medidas judiciais contra o ministério. Agora, não há uma definição no governo paulista se elas continuarão, até porque é incerto se a promessa da pasta será cumprida.
Também estão sendo refeitas na área técnica as contas acerca do cronograma de vacinação de jovens de 12 a 17 anos, que só podem receber a inoculação da Pfizer, a única vacina autorizada para esta faixa etária.
Doria queria iniciar a imunização no dia 18, mas o secretário Jean Gorenchteyn (Saúde) afirmou na quinta que isso poderia estar prejudicado pelas doses a menos recebidas por São Paulo.
Ainda não se sabe se a eventual normalização do envio, que embasa todo o cronograma nos estados, será suficiente para suprir as 228 mil doses que ainda faltam no total da rubrica Pfizer.
Antes dos jovens, há o contingente de pessoas que tomaram a primeira dose da vacina, que tem intervalo no Brasil de três meses até a segunda injeção, para ser atendido.
Em reunião na manhã desta sexta-feira, 6, Gorinchteyn se reuniu com o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) e técnicos. Ele pediu que a pasta liberasse as 228 mil doses faltantes o mais rapidamente possível.