Fim da reeleição pode ser o melhor caminho! - por Edison Pires
Publicado em:
8 de março de 2024 às 18:00:00

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Na semana passada vi que a discussão da PEC - Proposta de Emenda Constitucional, 12/2022, de autoria do Senador Jorge Kajuru, do PSB, voltou a ser pauta no Senado Federal. Ela propõe o fim da reeleição no Executivo - entenda-se Presidente, Governadores e Prefeitos - a partir das eleições de 2030.
No texto original era para ser em 2024. A proposta inclui ainda a realização de uma única eleição no País, e não mais como ocorre atualmente, uma a cada dois anos. Para isso, os mandatos dos eleitos passariam para 5 anos e não mais 4 como agora.
Uma das justificativas do autor da PEC é que haveria economia ao realizar uma única eleição (muitos gastos seriam evitados, principalmente com logística dependendo da região do País). Outro fator é que: "O chefe do Executivo despeja aqui no Congresso (Câmaras Municipais também: essa observação é minha) temas que possam lhe favorecer nas urnas. E lá vamos nós, congressistas, reduzindo impostos aleatoriamente, aprovando subsídios e prorrogando benefícios fiscais para setor já privilegiados", disse Kajuru em matéria publicada na Rádio Senado, no dia 5 de janeiro deste ano.
Na mesma matéria, o Presidente do Senado, destacou que: "A gestão pública feita sem o propósito de uma reeleição normalmente é uma gestão pública mais criteriosa e mais afeita a realizações imediatas sem populismo e sem intenção eleitoral. Portanto, o fim da reeleição considero que é uma lógica muito importante e muito interessante para o país."
Não tenho dúvidas de que os argumentos vêm de encontro com a opinião da maioria dos eleitores. E digo mais: da necessidade da maioria da população brasileira, principalmente daquela de baixa renda.
O motivo é bem simples: acabar de uma vez por todas com essa prática perversa e manipuladora da grande maioria dos Prefeitos e Governadores, que deixam para os dois últimos anos de mandato a realização de obras importantes para a população, com o único objetivo de "mostrar serviço" e criar a dependência no sentido de que "se for reeleito terá muito mais".
Esses maus políticos privam a população de melhorias durante dois anos, apenas com o objetivo de atender suas necessidades de reeleição. Judiam do povo para não perder o poder. Mostram, sem filtros, que o povo é o que menos interessa e que o importante é atender amigos, grupos e a si mesmos!
É ultrajante e afrontosa a prática desse modelo de governo, onde o eleito passa o primeiro ano de mandato criticando a condição lastimável com que recebeu a Prefeitura ou o Estado. A tática é mostrar problemas deixados pelo antecessor. E a desculpa para a inércia é sempre a mesma: "não tem recurso para nada e estamos arrumando a casa".
No segundo ano, a desculpa para as raras realizações fica por conta do planejamento de obras dentro da realidade do município e outras coisas mais, já dando mostras que do plano de governo apresentado durante a campanha com obras mirabolantes, pouca coisa irá sair do papel. Mais uma vez, o povo só fica com as promessas.
Até a metade do terceiro ano, mantem-se o plano de criar expectativa e dependência na população. Realiza uma coisinha mais ou menos aqui; atende um pedido aqui e outro ali; investe em medidas paliativas caras que mais tarde irão custar ainda mais para serem corrigidas; faz festa; posa para foto. No segundo semestre desse ano, as obras e realizações começam a tomar um impulso maior. Muitas das vezes, nada demais. Uma viela aqui, um escadão ali, uma rua asfaltada acolá, um campo de futebol. Mas tudo ao mesmo tempo para dar a impressão de que é um governo de obras. Porém, a verdade é outra!
Já no ano eleitoral a coisa muda de figura. Uma obra por semana. Até um simples remendo no asfalto já vira notícia na revista de prestação de contas. Porém, investimentos importantes continuam sem ocorrer. Aquela obra prioritária para toda a população, não sai do papel. Aquelas que podem oferecer melhores condições de vida para a população, continuam engavetadas. Enquanto isso, os eleitores assistem de camarote "os amigos do rei" se fartando do bom e do melhor. O melhor e o mais caro para uns poucos, e, cada vez menos - às vezes, nem mesmo migalhas - para quem realmente precisa. E o rei, com a maior cara de pau vai pro meio povo, como se estivesse realmente preocupado com essas pessoas, e fica contando vantagens e fazendo aquilo que ele sabe fazer tão bem: mentir e prometer.
Daí, vem o golpe final do político safado: "Se eu for reeleito, essa obra e muitas outras serão minhas prioridades!".
Pronto, o povo mais uma vez está prestes de ser engambelado, enganado, iludido, mentido, fingido, trapaceado.
Por sorte, nem todos os políticos agem dessa maneira ou com essa intenção. Não se pode generalizar. Mas basta puxar assunto sobre esse método infalível de enganar a população, que sempre aparece alguém para contar uma história. O próprio Presidente do Senado em seu comentário lá no alto, fala a respeito, destacando o populismo.
Talvez a proposta do senador Kajuru realmente seja uma boa. Qualquer alternativa para acabar com essa prática impiedosa contra o povo é válida, e será uma saída para que se alcance dias melhores, fazendo com que a farra com dinheiro público diminua um pouco.
Faço um convite a você, amigo leitor, para acompanhar esse assunto de perto na tentativa de evitar que o projeto receba emendas que continuem favorecendo os maus políticos. O que acha? Só reclamar não adianta!
Edison Pires

















