Emendas parlamentares: a festa é política, o lucro é de poucos, a conta é do povo! - por Edison Pires
Publicado em:
6 de fevereiro de 2026 às 13:00:00

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As emendas parlamentares, vendidas como instrumento de desenvolvimento e justiça social, tornaram-se, em muitos casos, um retrato fiel do mau uso do dinheiro público. O que deveria atender necessidades reais da população frequentemente se transforma em um desfile de obras mal executadas, de utilidade duvidosa e com prazo de validade vergonhosamente curto. E de maus políticos e empresários se dando bem, MUITO BEM!
O cenário é conhecido do cidadão comum: ruas recém-asfaltadas que se esfarelam em semanas, reformas que não avançam nem 10% do projeto, equipamentos públicos inaugurados com pompa e fotografia, mas sem condições mínimas de funcionamento. Não se trata de exceção — é quase padrão. A emenda chega, a “obra” aparece, parte do dinheiro some, a placa é instalada. A qualidade, essa quase nunca se faz presente. Isso quando o projeto é dado como “concluído” e não é fatiado em fases para sempre garantir uma continuidade.
O critério que orienta a destinação dos recursos raramente é técnico. E quando isso acontece prevalece o interesse político, o cálculo eleitoral, a necessidade de marcar território. Planejamento urbano vira detalhe; eficiência, um incômodo.
Prefeitos, pressionados por orçamentos cada vez mais apertados (?), acabam aceitando qualquer verba, ainda que venha acompanhada de projetos improvisados e cronogramas irreais. A fiscalização, quando existe, é tímida. A responsabilização, quase inexistente. E o desperdício vira política pública. Disso não faltam exemplos. Basta acompanhar o noticiário Brasil afora.
Enquanto isso, a população convive com transtornos, interdições, retrabalho e abandono. Assiste a um espetáculo de desprezo ao seu dinheiro, aliás, dinheiro que some no asfalto que afunda, no concreto que racha, na obra que precisa ser refeita antes mesmo de ser usada. Em um país que insiste em dizer que “não há recursos” para áreas essenciais, o desperdício patrocinado por emendas é um escárnio. E quem paga a conta é o povo, que fica sem as necessárias obras públicas e acompanha de perto o enriquecimento de poucos patrocinado pelos pesadíssimos impostos que paga.
A farra só se sustenta porque raramente há consequências. Poucos respondem por obras malfeitas, menos ainda devolvem o que foi desperdiçado. Sem transparência real, critérios técnicos obrigatórios e punição exemplar, as emendas continuarão sendo menos um instrumento de desenvolvimento e mais um símbolo da velha política: aquela que inaugura problemas e entrega prejuízos.
Se há alguém ganhando com esse modelo, certamente não é o cidadão. Para ele, sobra o buraco na rua, o serviço malfeito e a certeza de que, mais uma vez, pagou caro por muito pouco.
Edison Pires















