EDITORIAL - Quando a autoridade perde o equilíbrio
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10 de abril de 2026 às 11:40:00

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Cercadas por asseclas, subordinados, bajuladores e, em alguns casos, até por amigos que mais se assemelham a comparsas, muitas autoridades parecem ter se distanciado do que se espera de quem ocupa um cargo público: equilíbrio, sensatez e capacidade de ouvir. Em muitos casos, o problema não está apenas no erro — porque errar faz parte de qualquer função de comando —, mas na dificuldade quase crônica de admitir que ele exista.
O político histérico, em vez de reconhecer falhas e transmitir serenidade à população em momentos delicados, prefere reagir com irritação, elevar aumentar a voz e transformar qualquer questionamento em afronta pessoal. Daí não faltam discursos inflamados e, muitas vezes, baixaria. A postura revela não apenas arrogância, mas também traços profundos de caráter e da própria capacidade de governar. Em momentos em que a população espera explicações, segurança e tranquilidade, recebe ataques, desculpas frágeis e tentativas de inverter a lógica dos fatos.
Curiosamente, os mesmos que condenam o tom das críticas quando elas lhes são desfavoráveis, são rápidos em aplaudir e compartilhar palavras idênticas quando servem para enaltecer seus atos. O critério, ao que parece, não está no conteúdo, mas na conveniência.
O noticiário diário oferece exemplos abundantes desse comportamento. Frases infelizes, declarações desconectadas da realidade e justificativas improvisadas se acumulam como retrato de uma gestão, por vezes, desastrada. Surgem pérolas que vão do deboche com o cotidiano do cidadão até explicações absurdas para problemas graves, numa sucessão de falas que beiram o inacreditável.
Seria extremamente fácil listar episódios protagonizados por diferentes figuras públicas. No entanto, a repetição do absurdo corre o risco de transformar o inaceitável em rotina — e o ridículo em propaganda gratuita.
Quando a única verdade admitida na mente de um político destemperado e histérico é a sua própria versão dos fatos, acende-se um sinal de alerta. Mais do que divergência de opinião, o que se vê é o comprometimento da capacidade de ouvir, ponderar e governar.
Nessas horas, talvez o mais prudente não seja apenas o contraponto político, mas também um olhar mais humano e cuidadoso sobre atitudes que demonstram desequilíbrio.
Quando a população anseia por tranquilidade, recebe ataques, desculpas frágeis e tentativas de inverter a lógica dos fatos

















