Desespero político! - por Edison Pires
Publicado em:
13 de fevereiro de 2026 às 19:49:00

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Hoje quero brincar de “faz de conta”. Faz de conta que você, amigo leitor, conhece uma cidade onde a Prefeitura está pendurada em dívidas, com obras inacabadas espalhadas pela cidade, folha de pagamento nas alturas – o Everest fica parecendo uma lombada -, desenvolvimento travado e uma infinidade de problemas antigos. Até aqui, nada de novo. Eu conheço e não é de faz de conta!
E para a brincadeira ficar ainda mais interessante, vamos dizer que essa prefeitura tem a grande ideia de contrair um empréstimo milionário, oferecendo como garantia justamente uma das fontes de arrecadação mais sólidas do município. Por exemplo, os repasses igualmente milionários do ICMS.
E, desse mundo imaginário, vem a pergunta: Uma prefeitura que mal consegue honrar seus compromissos atuais, como pretende arcar com mais uma dívida milionária?
A resposta parece óbvia, mas precisa ser dita: não pretende. Apenas empurra.
E como se não bastasse, passa a fazer o anúncio de obras para todos os bairros, como se houvesse dinheiro em caixa, mas esconde a verdade: é dinheiro do empréstimo! Aquele dinheiro caro cheio de juros e tal!
Para tentar entender a lógica dessa cidade do faz de conta, fiz a mesma pergunta ao GPT, a famosa inteligência artificial. E a máquina, sem paixões políticas, sem interesses eleitorais e sem necessidade de agradar ninguém, foi categórica: empréstimos só fazem sentido quando há equilíbrio fiscal, planejamento rigoroso e projetos estruturantes capazes de gerar retorno real. Fora disso, o que existe é apenas endividamento irresponsável.
Segundo a IA recorrer a crédito em cenários de descontrole financeiro aumenta drasticamente o risco de colapso das contas públicas, compromete futuras gestões e cria um ciclo vicioso em que novos empréstimos passam a ser necessários apenas para pagar os antigos. Traduzindo: essa prefeitura imaginária entra numa esteira de dívida da qual raramente se consegue sair.
E há mais loucura nisso tudo: colocar como garantia justamente uma das principais fontes de arrecadação do município. Para a IA, além de irresponsável, isso equivale a apostar o salário do mês seguinte no jogo de hoje. Se perder, tchau, tchau!
No fundo, o que se vê é uma decisão movida não por planejamento, mas por desespero político. É a tentativa de cumprir, a qualquer custo, algumas promessas de campanha, mesmo que isso signifique comprometer seriamente o futuro da cidade. Governa-se pensando no próprio umbigo, no calendário eleitoral, nos compromissos assumidos — e esquece-se da população, principalmente aquela que mais depende dos serviços públicos: que precisa do posto de saúde funcionando, da merenda escolar garantida, do transporte digno, da assistência social presente.
Em vez de cortar desperdícios, rever contratos, enxugar a máquina, organizar as contas e priorizar o essencial, escolhe-se o caminho mais fácil: o do empréstimo, da maquiagem financeira e do discurso bonito que anuncia milhões em investimentos, ocultando ser dinheiro emprestado num momento crítico.
O problema é que discurso não paga boleto. E promessa não sustenta cidade.
No fim das contas, fica a pergunta que ecoa nos corredores da razão: isso é gestão responsável ou apenas um projeto pessoal travestido de política pública? O que você acha?
Por sorte, é só um faz de conta!(?)
Edison Pires















