Caso Marielle: Moraes vota pela condenação dos irmãos Brazão
Publicado em:
25 de fevereiro de 2026 às 14:10:00

Divulgação
Crédito Imagem:
Relator aponta que Chiquinho e Domingos Brazão mandaram matar a vereadora e lideravam organização criminosa no Rio de Janeiro
O ministro Alexandre de Moraes, relator do Caso Marielle no Supremo Tribunal Federal (STF), votou para condenar os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, o major Ronald Paulo Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca.
Para Moraes, os irmãos Brazão são os mandantes dos crimes. O ministro também apontou que o major Ronald Pereira e o policial militar Robson Fonseca, ambos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, ajudaram a arquitetar o assassinato de Marielle, colaborando ativamente, e integravam a organização criminosa comandada por Domingos e Chiquinho Brazão.
Em um voto contundente, Moraes classificou o crime como uma execução política motivada por "preconceitos estruturais" e como clara ação em silenciar e “tirar do caminho”, uma “mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos".
Moraes afirmou que fica claro, mediante as provas, que Marielle era o “principal obstáculo naquele momento aos interesses da organização criminosa” e que isso fez com que o obstáculo fosse “eliminado” e aponta essa como a efetiva motivação da morte da vereadora. E confirmou também que ela seria um plano B desta organização criminosa, já que o primeiro alvo era o ex-deputado Marcelo Freixo (PT).
Durante a leitura, Moraes descartou as teses de defesa que classificavam a delação de Ronnie Lessa como prova isolada e afirmou que toda declaração feita pelo ex-policial foi devidamente comprovada em juízo. O ministro destacou que o depoimento do executor foi corroborado por uma "montanha de evidências digitais", incluindo o cruzamento de antenas de celular (ERBs) e registros de deslocamento que colocam os envolvidos em reuniões de planejamento.
Sob forte emoção, a família de Marielle e Anderson Gomes - que estão presentes no julgamento -, recebeu toda a exposição do relatório feita por Moraes e comemorou com contenção, já que no Tribunal não se pode realizar quaisquer manifestações. Ao fim do voto de Moraes, a filha de Marielle, Luyara Franco, deixou o local em uma cadeira de rodas, chorando.
Os pilares da condenação
Em seu voto, Moraes destacou que o envolvimento dos Brazão foi motivado por "interesses espúrios" na regularização de terras em áreas de milícia, o que colocava Marielle Franco como um obstáculo político. "O crime não foi apenas contra duas vidas, mas contra a própria democracia e as instituições", pontuou o ministro.
Sobre Rivaldo Barbosa, o magistrado foi enfático ao descrever a "traição institucional". Segundo Moraes, o então chefe da Polícia Civil agiu deliberadamente para desviar o foco das investigações logo nas primeiras horas após o atentado, configurando uma rede de proteção que atrasou o desfecho do caso por seis anos. Quanto participação direta nos homicídios, Moraes afirmou que não provas claras que comprovem a participação direta nas mortes. Porém afirmou que é clara a participação e atuação de Rivaldo na organização criminosa e de "virar os canhões para o outro lado", garantindo a impunidade dos mandantes e colaboradores, em troca de pagamentos (vantagem econômica).
*Reportagem em atualização
Fonte: ig

















