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Brasil perde no Oscar, mas “O Agente Secreto” mostra novo caminho ao cinema nacional

Publicado em:
16 de março de 2026 às 17:50:00
Brasil perde no Oscar, mas “O Agente Secreto” mostra novo caminho ao cinema nacional
getty
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O Brasil não levou nenhuma estatueta nesta edição do Academy Awards — nem com as quatro indicações de “O Agente Secreto”, nem com Adolpho Veloso, indicado a melhor fotografia por “Sonhos de Trem”. A frustração é legítima para quem torceu, fez memes, vestiu a camisa e acompanhou a transmissão. Mas seria miopia reduzir a noite a isso.

A temporada de “O Agente Secreto” deixa um marco para o cinema nacional. O filme de Kleber Mendonça Filho repetiu um feito que o país não alcançava havia mais de duas décadas: receber quatro indicações ao Oscar, incluindo duas inéditas para o país, de Melhor Ator e Melhor Seleção de Elenco. Antes dele, apenas “Cidade de Deus” havia chegado a quatro categorias, em 2004, também sem levar prêmios.

Desde então, o Brasil voltou a passar longos períodos longe do radar da premiação. Bons filmes não faltavam: “Que Horas Ela Volta?” (2016), “Aquarius” (2016), “Bacurau” (2020) e “A Vida Invisível” (2020). Todos tiveram boa recepção da crítica, mas nenhum conseguiu transformar esse prestígio em uma indicação ao Oscar.

Eram frequentes, nessa época, as comparações com o cinema argentino, que já foi indicado oito vezes e levou dois prêmios na categoria de Filme Internacional. Enquanto isso, o cinema brasileiro, até 2024, havia recebido apenas quatro indicações e nenhuma vitória até então.

O jogo começou a virar no ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” teve três indicações e trouxe ao Brasil, pela primeira vez, o Oscar de melhor filme internacional. Neste ano, “O Agente Secreto” manteve o país em evidência na principal premiação do cinema mundial.

Parte desse resultado vem de algo que o cinema brasileiro demorou décadas para aprender: fazer campanha.

O Brasil aprendeu a fazer campanha

Fazer campanha ao Oscar nada mais é do que convencer os mais de 10 mil membros que compõem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a assistirem e votarem a favor de determinado filme. Uma boa campanha começa com a estreia em festivais (como Cannes, no caso de “O Agente Secreto”, e Veneza, no de “Ainda Estou Aqui”), e ganha força, principalmente, com o trabalho das distribuidoras.

Essas empresas, como a Neon, no caso do filme de Kleber Mendonça Filho, e a Sony, no caso do longa de Walter Salles, são responsáveis por bancar e organizar eventos, entrevistas, exibições especiais e “tours” para promover o filme, principalmente nos Estados Unidos. Quem cumpre essa agenda são os atores, diretores e demais membros da equipe — Wagner Moura, assim como Fernanda Torres, cumpriu as atividades com afinco.

Ao final da temporada passada, a protagonista de “Ainda Estou Aqui” resumiu o empenho dedicado a uma campanha ao Oscar:


— A corrida do Oscar começou em setembro. Imagina como eu estou? Meu cabelo já não aguenta uma escova — disse ela brincando durante uma entrevista, após cinco meses de campanha ao Oscar.


Desafio agora é manter visibilidade

O desafio agora é transformar o conhecimento sobre campanha em continuidade. Porque, apesar da aclamação recente, o Brasil, com suas seis indicações, ainda está longe dos números da França (41 indicações) e da Itália (33). Na América Latina, estamos nos aproximando do México (nove) e da Argentina (oito).

Com “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, esse caminho parece mais claro. No discurso de vitória no Globo de Ouro, Kleber Mendonça Filho apontou justamente para esse futuro:

— Eu dedico este filme aos jovens cineastas. Este é um momento muito importante no tempo e na história para se estar fazendo cinema. Aqui nos Estados Unidos, no Brasil… jovens cineastas, façam filmes!


Fonte: NSC

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