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A troca de roupa e o tapete - por Edison Pires

Publicado em:
14 de janeiro de 2023 15:00:00
A troca de roupa e o tapete - por Edison Pires
Crédito Imagem:

Os acontecimentos e as cenas que presenciamos no último domingo, 8, em Brasília, com as invasões por vândalos nos prédios dos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário, foi um grande exemplo do que não se deve fazer quando se luta por justiça e pela defesa da democracia, em seu mais amplo significado. Se a invasão foi um erro, a depredação foi algo abominável. Gente de bem, não faz esse tipo de coisa!

 Isso é ação de criminosos, de pessoas que só sabem e buscam promover a desordem para desqualificar a legitimidade e o direito daqueles que buscam, através de atos pacíficos e ordeiros, o que acham que têm por direito.

Escrevo tal afirmativa pelo simples motivo de concordar com um dos comentaristas da Globo News, ainda no domingo, ao destacar que “dos mais de 5 mil manifestantes que lotaram a Praça dos 3 Poderes, pouco mais de 170 haviam sido presos no momento em que se encontravam no interior dos prédios”. Ok, deve ter sido um número maior de arruaceiros que promoveram o quebra-quebra, mas, de um universo de mais de 8 mil, mil ou dois mil não podem tirar a importância e o crédito do ato de se manifestar ordeiramente, como bem fez a grande maioria.

O emprego da ignorância nesse domingo me fez relembrar a ação dos Black-Blocs em São Paulo no ano de 2013, quando eles quebraram vidraças (alguma semelhança?) de bancos; invadiram concessionárias de carros de luxo e partiram para cima da polícia (cavalariços foram atacados no domingo). Eles voltaram nos anos seguintes, inclusive durante o impeachment da Presidente Dilma Rousseff promovendo violência, queimando carros e agredindo aqueles que discordavam de suas atitudes, ideias e ideais.

A diferença para este domingo é que ao invés de roupas pretas os arruaceiros vestiam o verde-amarelo, talvez com o objetivo de confundir a opinião pública e municiar com imagens fortes e impactantes, aqueles que combatem a legitimidade das manifestações.

Quem depredou, quem invadiu, quem fugiu às regras da cidadania deve sim ser penalizado com o rigor da lei, não tenho dúvidas. O que não concordo é com a tentativa de generalizar todo o movimento em razão da ação desequilibrada de uma pequena parcela. Usar esse artifício é tão nocivo quanto incentivar atos criminosos ou seguir no caminho inverso à democracia, defendendo ou ocultaando possíveis ações criminosas.

Como bem disse minha esposa: “Um pouco mais de transparência poderia colocar fim a tudo isso!”. Acho que ela tem razão. Muito do que compõem a pauta das manifestações têm a ver com isso. Aliás, a falta de transparência - que vem se tornando rotina entre mandatários - tem criado e vai criar ainda mais discussões sobre temas de suma importância para a sociedade. O que temos assistido e acompanhado com frequência, é um jogo de fumaça para cobrir uma realidade que se busca ocultar a todo custo.

O ano eleitoral se aproxima. É preciso ver se haverá tapete suficiente para encobrir tudo o que alguns estão querendo ocultar!

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