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A prepotência do dia-a-dia - Coluna do Edison Pires

Publicado em:
30 de abril de 2022 17:28:24
A prepotência do dia-a-dia - Coluna do Edison Pires
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Numa época onde a inclusão social está em alta, onde o "politicamente correto" nos é cobrado 24 horas por dia - nos mantendo atentos para evitar deslizes que possam ser considerados como atos racistas, homofóbicos, antissociais, etc - me causou estranheza o comercial da cerveja Heineken que, para divulgar sua cerveja Zero Álcool, optou por expor o constrangimento de quem é excluído de um determinado grupo por não consumir bebidas alcoólicas.

Procurei entender em quais fatos a agência que produziu o comercial se baseou para fazer esse filme publicitário. De acordo com algumas publicações, "ao invés de destacar as vantagens de tomar a bebida a marca dessa vez voltou os olhos para um 'tabu' dos círculos sociais: a não aceitação dos brindes com pessoas que optaram por não tomar uma bebida alcoólica ao longo da História. Batizada de "Cheers with No Alcohol. Now You Can" (algo como "Brinda sem álcool. Agora você pode" em português), a campanha criada pela Publicis Italy conta com um comercial de 70 segundos que ilustra diferentes períodos onde não era socialmente aceitável fazer 'tim tim' com os colegas sem ter um copo cheio de álcool na mão. Isso vai desde os anos 20 até a época dos vikings, aos olhos da peça, que termina a brincadeira lembrando que a Heineken 0.0 enfim resolve esse 'problema' tão duro da sociedade".

Tudo bem! Mas, continuo achando que é de um mau gosto tremendo, além de ser ofensivo. Conheço muita gente que não bebe e não pode beber, que também não achou esse comercial "tão normal assim".

Se hoje, algumas expressões usadas durante anos seguidos e que vieram de gerações passadas - até mesmo por questões culturais - não podem mais ser utilizadas por serem consideradas ofensivas e pejorativas, porque promover o constrangimento de quem não consome álcool, pode? Onde está a graça?

O comercial desperta a ideia de que a sociedade não evoluiu e continuava a não aceitar brindes com aquele que não tivesse álcool no copo, até o momento em que a marca disponibilizou a cerveja zero, que também não tem álcool (!?). Onde está a coerência nisso?

A cena final da propaganda mostra uma pessoa deslocada do grupo, num canto do bar, que ao receber uma garrafa de cerveja zero (a Heineken como libertadora de tabus) tem a permissão dos amigos para brindar. É muita prepotência!

Isso me traz à mente algumas situações idênticas que vivemos diariamente, não concorda?

Edison Pires

 
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