top of page

A estabilidade da construção civil em tempos de pandemia, aponta para novas tendências do setor

Publicado em:
7 de agosto de 2020 19:27:42
A estabilidade da construção civil em tempos de pandemia, aponta para novas tendências do setor
Crédito Imagem:

Em meio a crise econômica e às profundas transformações no convívio social acarretadas pela pandemia da Covid-19 no Brasil e no mundo, a construção civil demonstra uma estabilidade incomum em outros setores, em função da sua rápida adaptação às novas regras de funcionamento e de distanciamento social.

No Brasil, antes da pandemia, o ano de 2020 apresentava boas expectativas para a retomada do setor imobiliário após cinco anos de recessão, com a previsão de crescimento de 3%, de acordo com as projeções da Câmara da Indústria da Construção (CBIC). No entanto, o impacto do novo coronavírus entre os meses de março e abril, período de maior isolamento social e paralisação das atividades, resultou em quedas no faturamento que forçaram as empresas a se adaptarem rapidamente, estabilizando o cenário entre maio e junho, e fazendo com que, ao final do semestre, o setor fosse um dos menos atingidos pela crise sanitária.

Impactando diretamente em outros 97 segmentos da economia, além de empregar dois milhões de trabalhadores com carteira assinada, a construção civil é, portanto, um dos setores que podem contribuir intensamente para retomada da economia após no próximo semestre. Em um cenário onde o Banco Central projeta uma queda de 6,10% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020, segundo a pesquisa Focus, o setor da construção civil se prepara para receber uma parcela significativa dos investimentos públicos de cerca de R$ 27 bilhões, destinadas a diversos setores pelo projeto Pró-Brasil, segundo o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

No atual contexto, de acordo com o levantamento realizado pela CBIC nesta segunda-feira (13), apenas em Sergipe e no Rio Grande do Sul, o setor da construção civil registra obras paradas em razão da pandemia. A retomada das obras a partir de maio na maior parte do país, com o incremento de 7% no setor em relação mês anterior, resultou em um aumento das atividades, por sua vez, corroborado pelas adaptações e inovações desenvolvidas pelo setor da construção em um curto período de tempo.

Dentre as iniciativas, destaca-se a digitalização dos processos de venda e divulgação como resposta imediata das construtoras e imobiliárias às mudanças de hábito dos consumidores. Para Marcelo Miranda, executivo que atua na Espanha como CEO da empresa  Consolis Tecnyconta, filial do grupo multinacional francês Consolis,  “a digitalização é uma das inovações que estão acelerando as tendências da construção civil no Brasil, seguindo as alternativas encontradas pelo setor em países que hoje se encontram em processo de reabertura”.

Com isso, a crise promovida pelo coronavírus está obrigando as empresas brasileiras a acelerarem os processos de transformação da construção civil que sempre foram necessários e que, segundo o executivo, vão além do processo de digitalização: “Há uma clara exigência pela digitalização, mas não apenas isso, pois existe também uma necessidade de soluções que resultem em uma maior previsibilidade em toda cadeia, garantindo a entrega e o cumprimento de custos e cronogramas. Nesse sentido, as soluções pré-fabricadas são uma grande diferencial na busca pela previsibilidade”.

Um dos pilares das transformações na construção civil no mundo é a construção pré-fabricada. Em vez de dezenas de atividades sendo realizadas simultaneamente por muitos trabalhadores em um canteiro de obra tradicional, a construção prefabricada representa uma produção de forma industrial e controlada de partes das edificações. Logo, a utilização de pré fabricados pode significar, em média, uma redução de 50% a 70% na duração de uma obra, além de oferecer um ambiente industrial mais controlado e seguro, tanto na prevenção de acidentes de trabalho, quanto no atual desafio de reduzir a quantidade de pessoas nos canteiros de obra. De um ponto de vista social, o executivo aponta que tais medidas não significam perda de emprego, pois haveria uma transferência de empregos temporários em canteiros de obra para empregos fixos na indústria, mais seguros, com maior qualidade de vida no trabalho e com maiores possibilidades de formação e desenvolvimento dos trabalhadores.

Em um momento em que evitar a contaminação dos trabalhadores nos canteiros de obras é um dos fatores definitivos para o desempenho do setor, as diferentes ações de prevenção desenvolvidas pelas empresas também redefinem as tendências da construção civil em tempos de pandemia. No último mês em São Paulo, segundo pesquisa do SindusCon-SP e do Seconci-SP, 2,2% dos trabalhadores foram afastados por suspeita de contaminação, e 1,2% deles foi confirmado com a doença.

Na Espanha, um dos primeiros a serem atingidos intensamente pelo coronavírus, apesar do conjunto de medidas tomadas pelo governo terem sido efetivas para reduzir o número de contaminados e mortos, houve relevantes consequências para a economia, como as previsões de queda no PIB de mais de 15% para o ano. Neste cenário, à frente de uma das principais empresas do setor, Marcelo Miranda optou por estabelecer uma série de medidas de segurança baseadas em um intenso trabalho de comunicação e rápida adequação de instalações e transformação de processos, fazendo com que até então não houvesse nenhum caso de contaminação entre os trabalhadores da Consolis Tecnyconta.

De acordo com Marcelo, além do trabalho remoto como solução para determinadas áreas, um grupo interno ficou responsável por adequar as instalações, criando novos vestiários, refeitórios e alterando procedimentos para garantir a distância mínima entre os funcionários e a higienização diária de fábricas e escritórios. Adaptações nas de segurança que somadas aos avanços do mercado da construção civil na Europa, com a utilização de pré-fabricados, a robotização, a automação e a escolha de materiais sustentáveis, apontam não só para um modelo mais voltado ao ¨anti-frági¨ e seguro, essenciais em tempos de pandemia, mas para um modelo também mais eficiente.

Leia Mais ...
bottom of page