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"É só prisão de ventre" por Edison Pires

Publicado em:
2 de dezembro de 2023 12:30:00
Atualizado em:
1 de dezembro de 2023 18:20:52
"É só prisão de ventre" por Edison Pires
Divulgação
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Um engano que poderia ter custado uma vida, ou, pelo menos, prolongado o sofrimento de uma jovem paciente. A conclusão acima foi passada durante uma consulta médica onde o profissional não conseguiu dar o diagnóstico correto e, por motivos que devem ser apurados, diagnosticou um caso grave de apendicite supurada com uma simples prisão de ventre.

As informações foram passadas pela própria paciente, conforme relato em vídeo, que sofria com fortes dores abdominais por dias seguidos, e que contou seu sofrido pesadelo pelas redes sociais.

Segundo relatos da própria paciente, ela procurou o sistema de Saúde várias vezes em vários dias e, em nenhum momento o problema foi detectado. Até que na última vez, o doutor diagnosticou prisão de ventre e fez uma sugestiva recomendação médica para alguém que já não suportava tantas dores.

Não é novidade nenhuma dizer que a moça teve que procurar ajuda médica em outra cidade, no caso em questão, foi em São Roque, onde um exame particular de ultrassom mostrou a gravidade da situação e que ela precisaria de uma cirurgia em poucas horas. "Como você ainda está viva?", perguntou o médico assustado, segundo ela relatou em vídeo gravado. Para deixar essa história tão impactante quanto o título, ainda segundo ela, o prazo dado para exames de sangue e ultrassom em Araçariguama, foi de três a quatro meses!

De volta para Araçariguama com a recomendação da cirurgia, 24 horas depois a moça foi transferida para o Hospital Regional de Sorocaba. Lá, os médicos constataram, segundo ela, que sua apendicite estava "estourada" há mais de uma semana e que, por conta disso, seu intestino delgado e parte do fígado estavam comprometidos. Seria necessária uma cirurgia de grande porte e que ela ficaria internada no mínimo por 3 meses.

Porém, antes da cirurgia de altíssimo risco, os médicos tentaram uma última alternativa. Drenar todo o pus que estava na barriga da paciente. E assim foi feito e ela está se recuperando bem. "Semana que vem devo ter alta", comemorou.

Ela finaliza o vídeo dizendo estar indignada: "Entra e sai prefeito e a Saúde de Araçariguama continua com muitos problemas. Que no ano que vem (Eleições Municipais) vocês votem em quem está realmente preocupado com assuntos sérios como Saúde e Educação", protestou.

Outro caso aconteceu na semana passada com uma menina de cerca de 10 anos de idade, que sofreu acidente de bicicleta e teve trauma no baço. Segundo a mãe da garota, os médicos não diagnosticaram o problema e deram alta. Em casa ela desmaiou e foi levada para a Santa Casa de São Roque onde, após exame de ultrassom o caso foi diagnosticado e a garota encaminhada ao Hospital Regional de Sorocaba, permanecendo internada na UTI. Ao que parece, também se recupera bem.

Poderia ficar relatando outros casos que foram surgindo nos comentários conforme essas duas histórias ganhavam repercussão. Mas não é necessário. Todo mundo já sabe o quanto está ruim, inclusive os próprios responsáveis por setor tão prioritário à vida!

O que me preocupa é a falta de ação. Demitir ou afastar o médico depois que o erro foi cometido ou montar comissões para analisar a situação, adianta pouca coisa depois que o mau serviço prestado provocou risco de morte e sofrimento. Isso parece apenas rota de fuga.

A certeza de que a Saúde não vai nada bem, é a quantidade de médicos que tiveram suas condutas analisadas (ao menos foi anunciado que estavam sendo analisadas) e os números de casos que continuam a ocorrer. Então, o problema pode estar em quem contrata a equipe médica, não é mesmo?

Pior ainda é ver "pedidos de desculpas" pelo mau atendimento, pelo erro cometido, por saber que a Saúde está uma porcaria e pessoas estão sofrendo e quase morrendo por causa disso. E tudo piora com a conivência! Os pedidos de desculpas apresentados nos comentários validam as narrativas, pois, se fossem mentiras, não haveria do que se desculpar!

Está na hora de apurar os fatos e verificar o que há de verdade ou não nos casos relatados. O assunto é por demais sério, para simplesmente pedir desculpas ou criar comissões, o que não levará o devido reflexo ao consultório e nem possibilitará maior brevidade nos exames e consultas.

Tantos casos seguidos, com tantos riscos de morte e outros maus atendimentos já não são erros: tá mais para incompetência pura e isso, na Saúde, é inadmissível!

Edison Pires

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