Rodovia da Vida... ou da imprudência? - por Edison Pires
Publicado em:
24 de julho de 2026 às 14:30:00

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Tenho ido com certa frequência a São Roque e, a cada viagem pela Rodovia Prefeito Lívio Tagliassachi, o conhecido Acesso, saio com a mesma sensação: preocupação.
Não há dúvida de que a duplicação é uma obra importante e necessária. A expectativa é de mais fluidez no trânsito e melhores condições para quem utiliza diariamente a rodovia. O problema é que segurança não depende apenas do asfalto novo. Depende, principalmente, de quem está atrás do volante.
Mesmo antes da conclusão das obras, já é possível presenciar situações de extremo risco provocadas por motoristas que insistem em transformar uma rodovia em pista de competição. A Lívio Tagliassachi possui cerca de nove quilômetros de extensão, mas apenas 8,2 quilômetros serão duplicados. Os aproximadamente 800 metros restantes, justamente na chegada a São Roque e no acesso à Rodovia Castello Branco, continuarão sendo gargalos naturais. Basta observar o comportamento de alguns condutores para imaginar o que acontecerá quando esses trechos se tornarem pontos de afunilamento. Infelizmente, há quem dispute cada centímetro de pista como se alguns segundos justificassem colocar vidas em risco.
Outro fator que merece atenção é a fiscalização. Se não houver controle efetivo da velocidade, seja por radares ou por operações frequentes dos órgãos responsáveis, a tendência é que pouco mude. E não adianta afirmar que a fiscalização já existe se ela praticamente não é percebida por quem utiliza a rodovia. Caso alguém discorde, basta apresentar datas, horários e a frequência das operações realizadas antes das obras.
A imprudência continua sendo o maior risco da Lívio Tagliassachi. O excesso de velocidade, a falta de experiência de alguns condutores, o intenso fluxo de carros e caminhões e os pontos de estreitamento formam uma combinação preocupante. E há ainda um agravante: parte dos motociclistas parece ignorar qualquer noção de risco. Ultrapassagens pelo acostamento, mudanças bruscas de faixa, velocidade muito acima do permitido e manobras perigosas tornaram-se cenas comuns. Enquanto esse comportamento continuar sendo tratado com naturalidade — e sem fiscalização efetiva —, a rodovia seguirá produzindo acidentes que poderiam ser evitados.
Tenho ouvido alguns políticos chamarem a nova Lívio Tagliassachi de "Rodovia da Vida". O nome é bonito e transmite uma mensagem positiva. Mas títulos não mudam a realidade.
Para que ela seja, de fato, uma rodovia da vida, será preciso muito mais do que duplicar pistas. Será necessário investir em fiscalização, sinalização eficiente e, acima de tudo, conscientização. Porque, sem isso, o risco é que as próximas manchetes continuem sendo escritas pela imprudência, e não pelo progresso.
Edison Pires



















