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Justiça diminui quase 10 anos da pena do pedreiro Júlio Cesar Ergesse acusado de matar Vitória Gabrielly

Publicado em:
20 de maio de 2021 22:03:27
Atualizado em:
30 de novembro de 2022 17:56:42
Justiça diminui quase 10 anos da pena do pedreiro Júlio Cesar Ergesse acusado de matar Vitória Gabrielly
Crédito Imagem:

O recurso da condenação de 34 anos de prisão do servente de pedreiro Júlio César Ergesse, que foi apontado como um dos participantes na morte de Vitória Gabrielly, foi julgado nesta quinta-feira,20. O Tribunal de Justiça diminuiu a pena dele para 23 anos e 4 meses de detenção, sendo quase 10 anos a menos.

Júlio havia ido a júri popular no dia 21 de outubro de 2019 por ter participado do crime em Araçariguama, em 2018. Após quase 11 horas de audiência, ele foi condenado a 18 anos de prisão por homicídio, 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver e 3 anos por sequestro.

Em nota, os advogados de defesa, Marcelo Ergesse e Glauber Bez, falaram sobre a decisão.

"Vamos ingressar com recurso perante as cortes superiores. O foco principal era anular o júri para que nosso cliente fosse julgado novamente por seus pares. Infelizmente, o pedido alternativo foi acolhido com a redução, mas estamos confiantes e não vamos parar por aqui."

Com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa e crime cometido para ocultar, a condenação chegou aos 34 anos. Contudo, a defesa dele entrou com apelação no TJSP para tentar um novo júri ou anular a sentença.

Além de Júlio, foi acusado pela morte da garota o casal Bruno Oliveira e Mayara Abrantes. Os dois ainda não tiveram a data do julgamento definida, pois a defesa entrou com recurso na Justiça para tentar impedir a decisão de júri popular. Com isso, o processo foi desmembrado.

Antes de encerrar, o juiz Flávio Roberto de Carvalho, que conduziu o primeiro Tribunal do Júri do caso, afirmou que foi o mais difícil em toda sua profissão.

Como foi o júri

Júlio chegou ao Fórum às 8h57, pouco antes do início da audiência, que começou por volta das 9h30. Nove testemunhas foram ouvidas, entre elas, um amigo do servente, que relatou que foi procurado por ele três dias após a garota desaparecer.

“O Júlio estava alterado quando me procurou, muito nervoso. Dei água com açúcar e insisti para falar o que tinha acontecido. O Júlio disse que não sabia onde tinham deixado a menina. Me senti na pele dos pais da menina, mesmo considerando o Júlio um irmão”, contou a testemunha durante a audiência.

Ainda conforme a testemunha, ele e Júlio se falaram no dia 11 de junho de 2018, três dias depois da adolescente Vitória ter desaparecido. Conforme depoimento, a testemunha negou envolvimento dela no caso, disse que conhece o Júlio há 11 anos e que nunca brigaram.

Quem também iria falar sobre o trabalho da polícia seria o ex-chefe da investigação de Araçariguama Marcos Pereira Gomes, conhecido como Marcão.

No entanto, o policial morreu ao sofrer um infarto na academia, em São Roque. No lugar dele quem prestou esclarecimentos foi a delegada Bruna Racca.

A delegada disse que, com o uso dos cães farejadores, o Júlio não foi identificado no local onde o corpo foi encontrado.

Ainda segundo Bruna, a maioria dos carros vistoriados nas imagens de câmeras de segurança obtidas pela polícia foi identificada. Nenhum era dos réus.

A delegada disse que foram feitas acareações e que, em nenhum momento, o Júlio se colocou no homicídio, apenas no momento que a garota foi sequestrada.

Já Júlio fez seu depoimento somente na presença dos advogados de defesa e acusação e do júri durante a tarde.

A medida foi estabelecida pelo juiz Flávio Roberto de Carvalho, que pediu a todos que estavam presentes no auditório para se retirarem durante o depoimento de Júlio Cesar Ergesse.

Debates

Após o depoimento de Júlio, houve a fase dos debates. O promotor Washington Luiz Rodrigues Alves afirmou que Júlio admitiu o envolvimento no sequestro e que teria segurado a menina no carro, que ainda não foi identificado.

Segundo o promotor, Júlio teria ficado dentro do veículo enquanto a adolescente foi levada para a mata. Ainda de acordo com promotor, foram encontradas roupas do Júlio dentro do carro e uma peça íntima no meio das peças com esperma do réu.

Já o advogado de defesa Glauber Bez pediu aos jurados a absolvição do Júlio no homicídio. Segundo ele, nada coloca o réu no local do crime. Ele se embasou também nos depoimentos dos treinadores dos cães.

Relembre o caso

 

Mayara, Bruno e Júlio foram presos acusados de participação direta na morte da menina. Os três estão na penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba (SP). Eles já foram ouvidos pelas polícia e Justiça e negaram os crimes.

Vitória Gabrielly desapareceu na tarde do dia 8 de junho de 2018, quando saiu de casa para andar de patins, em Araçariguama.

Uma câmera de segurança registrou a menina na rua no dia do sumiço (veja o vídeo abaixo). O desaparecimento mobilizou buscas diárias com cães farejadores e policiais pela região.

A adolescente foi encontrada morta oito dias depois, em 16 de junho, em uma mata às margens de uma estrada de terra, no bairro Caxambu.

Segundo a polícia, a garota estava com os pés e as mãos atados e o corpo amarrado a uma árvore. Vitória usava a mesma roupa que vestia no dia em que sumiu e os patins foram encontrados perto do corpo.

A morte da menina comoveu a cidade de Araçariguama, que se mobilizou para encontrá-la. Cerca de duas mil pessoas participaram do enterro no cemitério da cidade.

O inquérito que investigou a morte da adolescente contém 1.774 páginas. Dias depois, a Polícia Civil abriu um segundo inquérito para realizar buscas pelo suspeito de integrar a cúpula do tráfico de drogas na região e que estaria envolvido no crime.

Na época do crime, a polícia apurou que Vitória foi raptada por engano para que uma dívida de drogas fosse quitada. A menina teria sido morta depois que os criminosos perceberam que estavam com a pessoa errada.

 

Quarto suspeito

O quarto suspeito de participação no crime foi preso no dia 21 de maio e reconhecido através de fotos por duas testemunhas protegidas. Odilan Alves, de 36 anos, morava em Itapevi e confessou que comandava o tráfico de drogas na região de Araçariguama.

A identificação dele como suposto mandante do crime foi possível em função de características passadas por uma testemunha protegida em depoimento ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.

No dia 6 de junho, três jovens foram apreendidos no bairro Jardim Brasil, em Araçariguama, suspeitos de trabalharem para o traficante.

Ao fim, Odilan pode responder por tráfico de drogas, associação criminosa e também pela morte de menina.

 

Fonte-G1

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