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Cordeiros lideram exército de leões - por Edison Pires

Publicado em:
31 de julho de 2026 às 19:07:00
Cordeiros lideram exército de leões - por Edison Pires
Divulgação
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Há uma antiga frase atribuída a diferentes estrategistas ao longo da história que diz: "Um exército de leões comandado por um cordeiro será derrotado por um exército de cordeiros comandado por um leão."

Talvez seja hora de adaptar essa máxima aos dias atuais. O que vemos, muitas vezes, é algo ainda mais preocupante: cordeiros liderando um exército de leões.

Os leões somos nós. Mais de 24 mil ou 200 milhões de brasileiros. Trabalhadores que acordam cedo, pagam impostos, sustentam a economia, produzem riqueza, educam filhos e carregam o município e o país nas costas. Individualmente, enfrentamos desafios enormes e demonstramos uma capacidade extraordinária de superação.

Mas, coletivamente, parecemos esquecer a força que possuímos.

Na democracia, o verdadeiro poder nunca deveria estar nos gabinetes. Ele nasce nas ruas, nas urnas, na participação popular e na disposição de fiscalizar quem foi eleito. Nenhum governante exerce autoridade por conta própria. Todo poder lhe é concedido pelo cidadão e só permanece enquanto a sociedade aceita exercê-lo dessa forma.

O problema é que muitos leões passaram a acreditar que são cordeiros.

Reclamam nas redes sociais, criticam na mesa do almoço, indignam-se diante das notícias, mas silenciam quando chega a hora de acompanhar os mandatos, exigir transparência, participar das decisões públicas ou votar com responsabilidade.

Enquanto isso, a política continua sendo tratada por muitos como um campeonato de torcida organizada — e, para alguns grupos, uma verdadeira mina de ouro, capaz de render muito mais do que um prêmio acumulado da Mega-Sena.

Defendem-se pessoas, muitas vezes na expectativa de alguma vantagem, em vez de princípios. Adversários preferem apontar erros em vez de debater ideias, projetos, planejamento. A paixão, os interesses particulares e o fanatismo substituem a razão. E quem foi eleito para servir passa a ser tratado como ídolo, enquanto quem realmente deveria estar no centro das atenções — o povo — continua esperando por soluções.

Nenhum político é maior do que a Constituição. Nenhum partido é maior do que o Brasil. E nenhum governante deveria estar acima da fiscalização de quem lhe entregou o cargo.

O poder do cidadão não termina no dia da eleição. Na verdade, é exatamente ali que ele começa.

Talvez a maior crise brasileira não seja econômica, institucional ou ideológica. Talvez seja uma crise de consciência. Um povo que desconhece a própria força acaba entregando seu destino às decisões de poucos.

É assim que cordeiros acabam liderando leões.

Não porque sejam mais fortes, mais inteligentes ou mais preparados. Mas porque os leões esqueceram quem são.

Leões não nasceram para seguir qualquer direção sem questionar. Sua maior força não está apenas na coragem, mas na consciência do próprio poder.

No dia em que o povo redescobrir essa força, deixará de procurar salvadores da pátria. Entenderá que o verdadeiro protagonista da democracia nunca foi quem ocupa o Palácio, a prefeitura ou o Congresso.

Sempre foi quem ocupa a cadeira de eleitor.

Porque um povo consciente não precisa de heróis. Precisa apenas lembrar que, em uma democracia, o maior poder continua sendo seu.

Quando os leões voltarem a agir como leões, os cordeiros deixarão de conduzir o seu destino.

Edison Pires

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