Como seria bom um “sol” para cada um! - Edison Pires
Publicado em:
27 de setembro de 2025 às 13:00:00

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Falar em combate à corrupção virou quase sinônimo de discurso vazio. Um ritual de promessas, planos mirabolantes e frases de efeito que, na prática, pouco se traduzem em mudanças reais. Por isso, quando há o real o interesse em combater a corrupção – em todos os níveis de governo – e não ficar apenas no blá, blá, blá ou esconder a sujeira debaixo do próprio tapete, toda iniciativa é benvinda.
Um bom exemplo para o saneamento das finanças públicas foi dado pela Albânia, país do leste europeu, com quase três milhões de habitantes. Lá, o primeiro-ministro Edi Rama nomeou uma ministra de nome Diella, gerada por inteligência artificial (IA). Diella, significa "sol" em albanês. E quer saber qual será sua função? Eu respondo: a ministra ficará responsável por todas as decisões sobre licitações de contratação pública, área sensível e historicamente tomada pela corrupção. O objetivo, segundo o primeiro-ministro, é assegurar que os processos sejam transparentes, livres de conchavos e blindados de práticas corruptas.
A corrupção na Albânia sempre foi um problema muito, mas muito grande. Porém, como já disse lá no início, quando há vontade de verdade, existe solução para tudo. Nos últimos anos, a Albânia tem progredido no combate à corrupção graças ao trabalho da Estrutura Especial contra a Corrupção e o Crime Organizado (SPAK). De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção de 2024 da Transparência Internacional, a SPAK conquistou a confiança do público ao processar altos funcionários, incluindo ex-ministros, parlamentares e prefeitos. Notavelmente, também foram iniciadas investigações contra um ex-presidente e um ex-primeiro-ministro. Estes dados são frutos de uma pesquisa que fiz na Wikipédia, a enciclopédia livre e na imprensa.
Quem dera tal iniciativa pudesse servir de exemplo para outros governantes. E não necessariamente mandatários de nações. Pode ser de estados e municípios. Já seria um começo! Com certeza isso “ajudaria” os envolvidos a comprovarem que é possível que políticos eleitos e seus “funcionários de confiança”, recebendo apenas salários – como dizem - acumular fortunas (mansões, carrões, fazendas, milhões em bens e dinheiro vivo) em tão pouco tempo, sem depender da corrupção.
Fico me perguntando: Será que existe paz no coração de quem enriquece à custa da dor alheia? Difícil acreditar. O corrupto talvez até durma – mas não porque tem consciência tranquila. Dorme porque já perdeu qualquer traço de humanidade. Para ele, a miséria virou normal, a morte é só estatística e o sofrimento do povo não passa de detalhe. Quanto maior o sofrimento, maior é a oportunidade de roubar dinheiro público em razão das “situações de emergências”.
O caso albanês é uma prova de que, quando existe vontade política, existe caminho. E o mais importante: não se trata de uma revolução em escala global, mas de medidas locais, firmes e persistentes. Se cada estado, cada cidade decidisse enfrentar o problema com a mesma seriedade, já seria um enorme passo.
Que o “sol” da Albânia ilumine mais governantes, mostrando que combater a corrupção não é impossível – impossível é aceitar, para sempre, que poucos se beneficiem da impunidade e de tanto dinheiro público enquanto milhões vivem condenados à pobreza, à dependência de programas assistenciais eleitoreiros e às migalhas.
Edison Pires


















