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A vida não é uma novela. É uma minissérie! - Edison Pires

Publicado em:
19 de janeiro de 2020 19:30:42
A vida não é uma novela. É uma minissérie! - Edison Pires
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Sou fã de algumas minisséries da TV Globo em especial aquelas que registram épocas ou situações que, através de enredos caricaturados, retratam fielmente o momento que o País atravessou ou atravessa seja em crise política, moral, de segurança ou qualquer outro tema. Que me desculpem as outras emissoras, mas a qualidade de produção, texto, enredo e realização da Globo são difíceis de bater.

Filhos da Pátria está entre as minhas favoritas. Nela o autor mostra a realidade de uma cidade (que não necessariamente precisa ser uma cidade. Poderia ser um Estado ou até mesmo uma Nação) tomada pela corrupção de seus dirigentes. Ali tudo gira em torno de gordas comissões pagas com dinheiro público, desvios de verbas, propina e vantagens. Os episódios trazem situações que, infelizmente, estamos acostumados a ver na vida política e, por esse motivo, nos identificamos imediatamente com eles. A coisa é tão bem feita que é possível achar graça nas maracutaias que os políticos, empresários e seus amigos, aprontam às custas e em prejuízo do povo.

Buscando rapidamente na memória, lembro-me de um episódio em que o prefeito (não necessariamente um prefeito. Poderia ser um governador ou presidente) explica para seu secretário de obras a necessidade de contratar uma empresa amiga para asfaltar uma rua. O funcionário sério e comprometido com o bom uso do dinheiro público insiste em mostrar para o chefe que essa empresa não serve por não ter capacidade técnica e que é famosa por superfaturar os serviços. “Por isso ela é ideal”, diz o chefe. “Fazemos o serviço, dividimos o lucro e depois contratamos outra empresa para fazer tudo de novo e ganhamos mais um pouquinho”, conclui, mais ou menos nessas palavras.

A falta de transparência também foi lembrada em um dos episódios. “Pra quê o povo tem que saber do que acontece aqui na prefeitura?” (não necessariamente numa prefeitura. Pode ser um Estado ou Nação), pergunta o chefe. “Contrato quem eu quiser, mando embora quem eu quiser, decreto o que bem entender, ordeno a mudança de lei que quiser, gasto como quero e ninguém precisa saber disso. Quem quiser saber do que se trata que tenha em mãos os números, as datas, os códigos para pesquisar. Não vamos esconder, só vamos dificultar ao máximo para o povo não saber de nada”, disse o chefe (não necessariamente com essas mesmas palavras).

Outro episódio tratou sobre as mudanças no trânsito da cidade. Na tentativa de mostrar que a prefeitura (não necessariamente a prefeitura. Pode ser um Estado ou Nação) está fazendo algo de útil e, ao mesmo tempo, encontrar um meio para ganhar um dinheirinho extra, o prefeito (não necessariamente um prefeito. Poderia ser um governador ou presidente), manda mudar o trânsito em algumas ruas, alterando a mão de direção. Sem divulgar o que vai acontecer; sem um motivo lógico e muito menos da maneira correta, a ordem do chefe é cumprida. A cena marcante desse episódio é a divisão do dinheiro arrecadado com as multas. O chefe e seus subordinados, com os bolsos e cuecas cheios de grana, rindo da cara do povo que mais uma vez havia sido enganado. “Olha quanto dinheiro. O povo é rico e não sabe!”.

Quem tiver a oportunidade de assistir a essa série, que o faça. Vale a pena. Além de se divertir, vai ter a chance de rir da própria cara!

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