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A Praça é realmente nossa? - por Edison Pires

Publicado em:
27 de janeiro de 2024 14:00:00
A Praça é realmente nossa? - por Edison Pires
Divulgação
Crédito Imagem:

No início da semana fui surpreendido por um colaborador que, na hora do cafezinho, me mostrou um vídeo com algumas cenas de pessoas se enfrentando na Praça Albertino de Castro Prestes.

Não entendi direito se o entrevero ocorreu entre aqueles que utilizam a praça como dormitório, sala de estar, refeitório e boteco, ou, se foi entre alguns desses com munícipes. Só sei que a ação da Guarda Municipal acabou com o deprimente espetáculo, como me contaram.

Antes das férias em dezembro já havia um comentário sobre o aumento do número de pessoas ocupando a praça de maneira equivocada, a qual priva outros cidadãos de dividir o mesmo espaço de convivência. Parece que nada foi feito para impedir que situações como as mostradas em vídeo voltassem a acontecer. E mais uma vez, o resultado não é bom para o cidadão que busca na praça, entre outras coisas saudáveis, seus momentos de lazer.

Não há nada mais delicioso do que uma praça de cidade do interior. Ela agrega tantos valores e boas lembranças que, na maioria das vezes, é o ponto mais importante de uma localidade onde as pessoas se encontram; fazem hora para trabalhar ou pegar o ônibus; onde avós levam os netos para brincar. É o ponto de encontro, mesmo casual, onde todo mundo se conhece e se sente bem.

Lembro que há alguns anos foi lançada uma campanha de nome "A Praça é Nossa", com o objetivo de incentivar a volta do cidadão comum a um espaço tão nobre, que estava sendo "dominado" por pessoas que a utilizavam para fins outros. Foi uma época em que famílias se sentiam ameaçadas por esses cidadãos. Se fosse negado o pedido de um "dinheirinho", as pessoas eram xingadas. Mulheres eram obrigadas a evitar a praça. A própria rede comercial do entorno sofria com a presença de pessoas pedindo "uma ajudinha". Foi uma fase complicada.

Muitos casos desagradáveis e perigosos estavam acontecendo quase que diariamente naquela época. Não sei ao certo quais medidas foram tomadas, só sei que a normalidade foi resgatada e a praça voltou a ser do povo. Me lembro de uma lei aprovada, que diz que é proibido tomar bebida alcoólica na praça, exceto em ocasiões especiais, como eventos, por exemplo. Será que ainda está em vigor?

Passado esse tempo, o problema parece estar voltando. Ainda não presenciei, mas me disseram que o coreto virou quarto e a caixa de areia do parquinho recém instalado, durante a madrugada, é usada para outras finalidades. Seria bom que alguém verificasse se isso realmente está ocorrendo, para evitar que as crianças que brincam no local sejam surpreendidas por algo nojento!

Independente se a reforma da Praça Albertino de Castro Prestes agradou a todos ou não, principalmente com a construção de banheiros, é certo que ali foi investido dinheiro público. Portanto, todo cidadão tem o direito a usar o local, mas dentro dos preceitos da cidadania lembrando da regra básica onde "o seu direito acaba onde começa o dos outros".

Araçariguama não pode regredir e passar por aquele momento novamente. Algo tem que ser feito urgentemente. Todos sabemos que se trata de uma situação delicada e que envolve muitas questões, mas, se deixar do jeito que está, só vai piorar. Não podemos correr o risco de perder o controle da situação. De repente, da noite para o dia, esse grupo de pessoas pode aumentar. E o que deveria ser um dos cartões de visita da cidade, vai se transformar em ponto perigoso e de vergonha coletiva.

Com certeza existem medidas para não só conter o avanço do uso indevido da praça, mas também para ajudar quem esteja nessa situação de vulnerabilidade. É certo ainda, que o uso de drogas e o consumo de bebidas alcoólicas são doenças. Portanto, muitos do que se encontram ali na praça precisam de apoio, principalmente do Poder Público, que tem a incumbência de cuidar de seus cidadãos.

Finalizando, aproveito o espaço para fazer um pedido: que o nome do cidadão Albertino de Castro Prestes, que dá o nome à Praça, não seja trocado por "Praça da Matriz", como acontece normalmente, até mesmo em eventos oficiais. E faço uma sugestão: que o entorno da Praça receba o nome de Largo da Matriz.

Nada mais interiorano, não acha?

Edison Pires

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