A linha entre o herói e o vilão é tênue - por Edison Pires
Publicado em:
27 de abril de 2024 às 12:00:00

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Em uma de nossas conversas, tio Borba me falou sobre uma disputa política na região sul de Minas, onde o objetivo de cada um dos concorrentes era aniquilar o adversário.
Não era derrota-lo nas urnas apenas, mas anular definitivamente o seu oponente tanto na vida pessoal quanto política.
Esse episódio ficou marcado em sua mente. Como líder político, tentou intervir colocando partidos e candidatos frente a frente. Seu esforço foi em vão, comentou. O que aconteceu em seguida foi um verdadeiro desastre para a pequena e humilde comunidade que lutava desesperadamente para se "manter viva e respirando", como disse Borbinha.
Lembrei desse episódio com meu querido tio ao reler a publicação americana da época de faculdade que traduzido, o título fica mais ou menos assim: "Recente História Política do Ocidente e Oriente - Uma visão global da influência das civilizações no Mundo Pós-modernidade". Um texto que deveria ser de cabeceira para qualquer pessoa que busca concorrer a um cargo eletivo/político na busca de, ao menos enxergar a política como um todo e não apenas no seu engajamento partidário.
O autor nos leva a entender que na busca por derrubar um inimigo a todo custo, muitas vezes se corre o risco de nos perdermos em nossa própria sede de vitória. É uma armadilha perigosa, pois na tentativa de mostrar a periculosidade do outro, podemos nos tornar tão ou mais prejudiciais. A pressa em derrotar pode nos levar a cometer erros graves e injustiças, comprometendo nossos valores e princípios. Quando a disputa é partidária, a situação piora, uma vez que o bem comum estará ligado diretamente nessa queda-de-braço irracional.
O artigo mostra que quando nos concentramos exclusivamente em eliminar o adversário, corremos o perigo de nos desviar do caminho da justiça e da moralidade. Ações impensadas e movidas pelo ódio ou pela disputa pessoal/política, podem resultar em consequências devastadoras, não apenas para o oponente mas também para nós mesmos e para aqueles ao nosso redor.
Além disso, ao nos deixarmos levar pela ânsia de demonstrar a periculosidade do outro, podemos nos transformar, de forma inconsciente, em algo que abominamos. A linha tênue que separa o herói do vilão pode se dissipar rapidamente quando nos permitimos agir de maneira impulsiva, sem escrúpulos e sem pensar nas consequências. O que geralmente ocorre!
O autor destaca que é crucial lembrar que a verdadeira força não reside na capacidade de destruir, mas sim na habilidade de construir e de agir com integridade. Em vez de nos igualarmos ao inimigo em sua atuação desastrosa, devemos buscar maneiras de resolver conflitos de forma pacífica e justa, mantendo nossos valores e princípios intactos. Pois é nessa hora de pressão e disputa que temos a oportunidade de realmente mostrar quem somos! Caso contrário, seremos apenas mais um!
"Portanto, é essencial exercer o autocontrole e a sabedoria em situações de disputa, lembrando que nossa verdadeira grandeza está em como enfrentamos os desafios com coragem e dignidade, sem nos deixarmos corromper pela escuridão que buscamos combater", diz o texto.
Não nos faltam exemplos desse tipo de disputa. Como também não nos faltam exemplos de que, a intenção daquele que se diz "bonzinho" não é outra a não ser a busca pelo poder e, que ao autointitular-se como o "salvador da pátria" e a "pessoa mais honesta do mundo", revela os primeiros indícios de que tudo pode ser uma grande mentira.
A publicação deixa claro que nessa disputa irracional, o povo é que sofre as maiores consequências negativas. Quase sempre montanhas de dinheiro público são gastos na compra de apoio político, em investimentos desnecessários ou até na criação de situações que beiram o crime, mas que garantem ao "bom político" a vitória tão almejada. Enquanto isso, a população permanece na dependência de migalhas para tentar sobreviver.
Um texto com mais de 50 anos, porém muito atual!
Edison Pires




















