A Copa das zebras, das surpresas e do fim das certezas - por Edison Pires
Publicado em:
3 de julho de 2026 às 17:30:00

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Por muitos anos, a Copa do Mundo foi território quase exclusivo das mesmas seleções. Mudavam as gerações, os estádios e os continentes, mas os protagonistas costumavam ser os mesmos. Havia espaço para uma ou outra surpresa, claro, mas elas eram tratadas justamente como exceções que confirmavam a regra.
A Copa de 2026 parece ter decidido reescrever esse roteiro.
As zebras deixaram de ser capítulos isolados para se transformarem em personagens centrais da competição. Favoritos caíram – que digam Alemanha, Holanda e Uruguai -, gigantes sofreram (Inglaterra quase não passa pelo Congo) e seleções antes consideradas meros figurantes passaram a disputar espaço entre os protagonistas do torneio. Paraguai, Marrocos e Cabo Verde, são alguns exemplos.
Talvez estejamos assistindo ao fim definitivo da era em que a camisa pesava mais que o futebol apresentado dentro de campo.
O esporte mudou. O talento se espalhou pelo planeta, os centros de formação se multiplicaram e jogadores de países sem tradição passaram a atuar nos principais clubes do mundo. O resultado dessa globalização do futebol está estampado no gramado: as diferenças diminuíram e a margem para o erro praticamente desapareceu.
Hoje, entrar em campo carregando títulos do passado já não assusta tanto. Serve até de incentivo para o adversário!
Para o torcedor, isso é uma excelente notícia. Afinal, a essência da Copa do Mundo sempre esteve justamente na capacidade de desafiar previsões. O Mundial nunca foi apenas sobre os melhores jogadores ou as seleções mais valiosas, mas sobre histórias improváveis, campanhas inesperadas e partidas capazes de desafiar qualquer lógica.
Em tempos dominados por estatísticas, inteligência artificial, probabilidades e simulações, a Copa de 2026 oferece um lembrete simples e poderoso: o futebol continua resistindo à matemática e à lógica imposta.
Ainda bem.
Porque, no dia em que os favoritos vencerem sempre, a Copa perderá parte do seu encanto. E se existe algo que este Mundial está nos ensinando é que, no futebol, o impossível continua encontrando espaço para acontecer.
Talvez seja justamente por isso que esta esteja sendo uma das Copas mais interessantes dos últimos tempos: a Copa das zebras, das surpresas e, principalmente, do fim das certezas.
Edison Pires

















