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“As carretas vão matar famílias” por Edison Pires

Publicado em:
3 de junho de 2023 12:30:00
“As carretas vão matar famílias” por Edison Pires
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Há alguns anos escrevi nesta mesma coluna sobre os possíveis problemas e transtornos que o transporte de lixo em grande escala poderia causar ao nosso município. Destaquei que a nossa malha viária não estava (e ainda não está) adequada para receber fluxo tão grande de caminhões dia e noite, seja lá para qualquer tipo de transporte. Disse também do risco para a segurança dos munícipes em ter que dividir estradas estreitas com carretas enormes e pesadas.

Além dessa preocupação, falei também do local impróprio para a instalação de um empreendimento que vai receber centenas de toneladas diariamente de lixo domiciliar e industrial. Porém, quem sou eu para discutir com pessoas altamente graduadas e gabaritadas nesse assunto e, que garantem que não há risco algum de contaminação do nosso lençol freático? Sempre deixei minha opinião enquanto cidadão, o qual tenta zelar pelo bem da cidade. Só isso!

Bem, passados os anos, enfim a queda de braço acabou e o empreendimento está funcionando normalmente. Lembro de algumas contrapartidas oferecidas à cidade na época da aprovação do projeto do aterro sanitário, e gostaria de saber se elas continuam de pé, ou, se em razão da disputa jurídica que se arrastou durante bom tempo, as propostas já não estão valendo mais. Essa resposta seria interessante para a comunidade, uma vez que ela acompanhou de perto boa parte do que aconteceu e, sem dúvida alguma, é parte interessada na questão. Será que Prefeitura ou a empresa poderiam responder? Qual benefício nossa cidade terá com esse tipo de empreendimento?

O que me traz novamente a este assunto é que nem bem tudo se resolveu, os problemas começaram a aparecer. E pelo que ouvi oficialmente e não por fofoca, eles são tão graves quanto sempre destaquei. Lendo a coluna LEGISLATIVO deste jornal, vi que alguns vereadores manifestaram de forma bastante preocupada sua indignação com o que vem ocorrendo em alguns pontos do município com o transporte de lixo.

É claro que a empresa que recebe o material não tem nada a ver com isso, afinal, a responsabilidade sobre o transporte é da transportadora ou de quem transporta, caso autônomo. Mas, é bom lembrar que empresas que zelam pelo seu bom nome e pelo bem comum da comunidade aonde estão instaladas, adotam políticas que exigem certificações e, entre outras coisas, bons antecedentes de seus fornecedores. Fica a dica!

Os vereadores que usaram a Tribuna para falar sobre o que vem ocorrendo, destacaram que uma tragédia poderá ocorrer a qualquer momento. “Vão matar famílias. Essas carretas estão com excesso de peso, trafegam sem cobertura, sem sinalização, são um perigo. Dia e noite eles passam levando perigo. Vamos tomar providências para restringir o trânsito desses veículos, eles terão que se adequar às nossas leis. O aterro não traz nenhum benefício para a cidade. Zero de benefício, zero”, disse o vereador Helton da Van. “Caminhões deixam cair material químico nas estradas; abusam da velocidade; o risco é grande de acidentes”, comentou pedindo providências o vereador Bahia Cabeleireiro. “Resta exercer o direito de polícia”, destacou o Presidente da Câmara, Dr. Marco Dal Bello, se referindo ao Executivo.

Dizem, que “para bom entendedor, meia palavra basta”. O que dizer, então, de manifestações como essas? O que mais precisa ser dito para que algo venha a ser feito? Ou será que vamos ter que esperar por alguma ocorrência grave para buscar corrigir o que está errado?

Infelizmente, sobre o assunto, o que percebo é que a fase de falar sobre problemas que poderiam vir a ocorrer está sendo substituída pela fase do “já está ocorrendo”. Aqueles problemas que pareciam tão distantes - inclusive para algumas autoridades locais que tiveram suas razões para apoiar algo tão absurdo em local impróprio - são realidade. Para muitos como eu, fica a certeza de que o sonho acabou e o pesadelo está apenas começando! Pra variar, mais um ano sem ter o que comemorar no Dia Mundial do Meio Ambiente! Só desilusão!

Edison Pires

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